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LOC.: Cidades menores, do interior e menos urbanizadas concentram os maiores níveis de participação partidário-eleitoral no Brasil. É o que mostra o IPar-Eleitoral, o Índice da Participação Partidário-Eleitoral nos Municípios Brasileiros, divulgado pelo Observatório Participa, projeto de extensão e difusão científica do INCT Participa.
Com dados do Tribunal Superior Eleitoral referentes a 2024, o IPar-Eleitoral reúne três formas distintas de participação cívica: o comparecimento às urnas, o alistamento eleitoral voluntário de jovens de 16 e 17 anos e a filiação partidária.
Segundo o estudo, municípios mais populosos e urbanizados tendem a registrar, proporcionalmente, menores níveis de participação partidário-eleitoral. Em Oliveira de Fátima, no Tocantins, município com 1.164 habitantes, o IPar-Eleitoral atingiu a pontuação máxima de 100 pontos. Grupiara, em Minas Gerais, com 1.392 habitantes, registrou 97,7 pontos.
Na outra ponta do ranking estão as duas cidades mais populosas do país. São Paulo alcançou 10,6 pontos no índice, enquanto o Rio de Janeiro registrou 6 pontos.
Carla Almeida é professora da Universidade Estadual de Maringá e uma das coordenadoras do Observatório Participa. Segundo ela, apesar de o índice apontar uma maior participação partidário-eleitoral em municípios de menor porte, ainda são necessárias novas pesquisas para explicar as razões desse comportamento.
TEC./SONORA: Carla Almeida, professora da UEM
“Nós encontramos na literatura especializada argumentos que defendem que, em municípios menores, a participação tende a ser mais intensa, porque a política é mais próxima dos cidadãos e cidadãs. Essa proximidade favoreceria o engajamento. Por outro lado, ela também tornaria esse engajamento mais esperado, já que, nesses contextos, as escolhas e os comportamentos políticos individuais adquirem maior visibilidade e, inclusive, maior cobrança.”
LOC.: Carla Almeida ressalta que o IPar-Eleitoral não pretende medir todas as formas de participação política nem avaliar a qualidade da democracia brasileira. O objetivo é oferecer uma medida comparável sobre a relação da população com as instituições eleitorais e partidárias em cada município do país.
TEC./SONORA: Carla Almeida, professora da UEM
“A qualidade do índice é justamente essa: apresentar esse diagnóstico, possibilitar conhecer melhor a realidade brasileira e, com isso, permitir com que a gente elabore perguntas mais qualificadas com essa fundamentação empírica, além de poder subsidiar ações para aprimorar a participação política.”
LOC.: Os resultados do IPar-Eleitoral estão disponíveis para consulta pública, município por município, no site inctparticipa.org.
Reportagem, Paloma Custódio