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LOC.: Um tremor de magnitude 3,7 foi registrado na madrugada da última sexta-feira no sul do Tocantins. O abalo na cidade de Sandolândia, de menos de 4 mil habitantes, não ocasionou danos materiais ou relatos de moradores que tenham sentido o tremor com intensidade.
O fenômeno, no entanto, motivou a divulgação de um suposto novo tremor, previsto para ocorrer na próxima sexta-feira, dia 18. Bruno Colaço, sismólogo da Rede Sismográfica Brasileira e do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo alerta que o conteúdo não é verídico.
TEC./SONORA: Bruno Colaço, sismólogo da RSBR
“Esse alerta é falso, é uma alucinação. Os tremores são impossíveis de prever, e talvez nunca seja possível prever data, local e magnitude exatos. Isso é uma alucinação, não temos tecnologia para isso.”
LOC.: Nos últimos 40 anos, a RSBR catalogou 34 abalos sísmicos no Tocantins. Segundo Colaço, o histórico indica que o evento não é isolado, mas também não está fora do padrão.
TEC./SONORA: Bruno Colaço, sismólogo da RSBR
"O que mais chama atenção é essa magnitude de 3,7 — ela difere um pouco do que o Tocantins está acostumado, é um pouco mais alta. Esse é o maior tremor desde 2015 e está entre os três maiores desta última década."
LOC.: A posição geológica e formação rochosa do Brasil é privilegiada: estamos fora das zonas de riscos da atividade vulcânica, de furacões e de grandes terremotos, o que não significa que não haja atividade sísmica. Colaço explica que a placa Sul-Americana, onde o país está localizado ao centro, é pressionada pelos movimentos das placas de Nazca e Africana, atividade conhecida como sismicidade intraplaca.
TEC./SONORA: Bruno Colaço, sismólogo da RSBR
"Essas tensões se distribuem por toda a crosta e vão se acumulando durante anos; quando ficam muito grandes, as rochas não conseguem suportar esses esforços e quebram. Quando acontecem essas quebras, ao longo de falhas geológicas, se originam essas fraturas, e as ondas se espalham em todas as direções — é isso que as pessoas eventualmente podem sentir."
LOC.: Por isso, são raros os casos de danos sérios à construções civis ou até mesmo estruturas como barragens, reservatórios e usinas. Ainda assim, o país possui mais de 120 estações de monitoramento da atividade, o que permite expandir os conhecimentos na área e registrar mais abalos.
Reportagem, Álvaro Couto.