Combata o mosquito todo dia. Foto: Divulgação
Combata o mosquito todo dia. Foto: Divulgação

Tatuí (SP) tem a maior incidência de dengue do País

Risco de infestação pelo mosquito transmissor da doença ameaça cidades vizinhas àquelas com alta contaminação


A taxa de incidência de dengue em Tatuí (SP) é a maior do País (16.346,05), número 32 vezes maior do que a referência do Ministério da Saúde para considerar que o município tem índices críticos para dengue. No ano passado foram mais de 20 mil casos de dengue somente no município de Tatuí e oito casos de zika. As doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a chikungunya. 

Pereiras, Quadra, Boituva, Porangaba e Quadras também tiveram altas taxas de infestação por dengue. Dos nove municípios da região, apenas Cerquilho (SP) tem risco moderado para um possível surto de dengue. Em toda região próxima à Tatuí, foram mais de 22 mil casos confirmados de dengue e nove de zika. 

“A circulação do vírus entre as regiões é rápida e não respeita limites geográficos, alerta o coordenador-geral de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka. O mosquito pica alguém contaminado e rapidamente espalha os vírus entre as pessoas que estão próximas.

Tereza Cristina de Souza (60), moradora de Ribeirão Preto (SP), acredita que se contaminou três vezes por dengue e uma por zika porque os moradores próximos seguem sem cuidados com a limpeza do ambiente. “Depois que adoeci pela primeira vez, recebi a visita de agentes ambientais que me orientaram sobre locais que eu nem imaginava que poderiam ser criadouros”, diz. Entre esses locais, estavam o compartimento atrás da geladeira e um cano que servia como suporte para o Varal. 

Situação do País

O Brasil registrou queda 42,6% no número de casos prováveis de dengue entre 2020 e 2021. No ano passado, foram notificadas 543.647 infecções, contra 947.192 em 2020. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. 

Entre os casos de zika, houve uma pequena redução de 15%, passando de 7.235 notificações em 2020 para 6.143 em 2021. Já a chikungunya registrou aumento de 32,66% dos casos, com 72.584 em 2020 e 96.288 no ano passado.

O sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Brasília, Cláudio Maierovitch, destaca que 2020 foi um ano de muitos casos e, por isso, não se deve relaxar com a queda de contágios em 2021. “Mesmo não tendo havido aumento de um ano para o outro, essa não é boa comparação, uma vez que o ano anterior foi de números altos”, alerta.

Cuidados necessários 

Devido às altas temperaturas e às chuvas abundantes, o verão é o período do ano em que os ovos eclodem e acarretam o aumento de infecção por dengue, chikungunya e zika. Por isso, fique atento às dicas para evitar a proliferação do mosquito:

  1. Vire garrafas, baldes e vasilhas para não acumularem água.
  2. Coloque areia nos pratos e vasos de plantas.
  3. Feche bem os sacos e lixo.
  4. Guarde os pneus em locais cobertos.
  5. Tampe bem a caixa-d´água.
  6. Limpe as calhas.

Para o combate é necessário unir esforços com a sociedade para eliminar a possibilidade de locais que possam acumular água. Os ovos da fêmea do Aedes aegypti podem ficar incubados durante um ano e eclodir em apenas cinco dias quando entram em contato com a água. "É preciso manter os cuidados durante todo o ano por 365 dias”, reforça o coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka.

Veja no mapa a incidência de dengue no seu município

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LOC.: A taxa de incidência de dengue em Tatuí é a maior do país, supera 16 mil. Isso é 32 vezes maior do que a referência do Ministério da Saúde para considerar que o município tem índices críticos para dengue. No ano passado foram mais de 20 mil casos de dengue em Tatuí e oito casos de zika. A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, assim como a zika e a chikungunya. A  paulista Tereza Cristina de Souza, de 60 anos, foi vítima do Aedes aegypti por quatro vezes: teve dengue três vezes e pegou zika uma vez. 
 

TEC./SONORA: Tereza Cristina de Souza, dona de casa. 

“Tive dengue e tive todos os sintomas que são: febre, dores nas juntas, vermelhidão no corpo, boca amarga e dor de cabeça. E fiquei ruim por uma semana. Depois o quadro foi diminuindo e logo meu marido pegou depois de uma semana.”
 

LOC.:  Pereiras, Boituva, Porangaba e Quadras também tiveram altas taxas de infestação por dengue. O coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde, Cássio Peterka, explica que, hoje, mais de 70% dos casos de dengue se concentram em menos de 200 municípios do país. Mas ele lembra que isso não quer dizer que as cidades próximas não devam se preocupar. 
 

TEC./SONORA: Cássio Peterka, coordenador-geral de Vigilância de Arboviroses do Ministério da Saúde

“O vírus da dengue tem um potencial de distribuição geográfica muito rápida e muito grande, tanto que se a gente pegar regiões onde a gente tem uma baixa transmissão que sejam contíguas, principalmente regiões metropolitanas, regiões vizinhas, a gente vê essa expansão muito rápida. Porque a gente tem o vetor. O vetor estando presente, isso faz com que a gente tenha uma maior transmissão e as pessoas infectadas transitam por essas regiões.”

LOC.: Devido às altas temperaturas e às chuvas abundantes, o verão é o período do ano em que os ovos eclodem e acarretam o aumento de infecção por dengue, chikungunya e zika. Para evitar a proliferação do mosquito, a população deve checar calhas, garrafas, pneus, lixo, vasos de planta e caixas d’água. Não deixe água parada. Combata o mosquito todo dia. Coloque na sua rotina.