Economia - Exportações·14 de julho de 2025

Tarifaço de Trump: comitê entre governo e setor produtivo é de "grande valia", afirma presidente da CNI

Governo deve oficializar nesta semana a criação do grupo para avaliar e negociar impactos com Washington

Por Janaína Michalskì
Ouvir · 00:01:57

Foto: Freepik

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou, no domingo (13), a criação de um comitê interministerial para dialogar com os setores mais afetados pela sobretaxa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, aos produtos brasileiros. 

Segundo informações do Palácio do Planalto, há prioridade na oficialização do comitê, o que deve ocorrer até a próxima quarta-feira (16), quando serão conhecidos os integrantes e a dinâmica do grupo de trabalho. 

De acordo com o presidente Lula, a intenção é levantar dados e medir o impacto da ação de Trump entre os exportadores brasileiros. A partir disso, o governo terá insumos para tentar negociar com os EUA. 

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, contemplando o setor produtivo, a formação do comitê é de “grande valia”. “O diálogo deve ser o caminho prioritário. A CNI, em parceria com entidades empresariais dos dois países, está pronta para contribuir tecnicamente na busca de uma solução negociada que reverta as tarifas e restabeleça a confiança”, afirmou Alban, em artigo publicado no jornal Valor Econômico, no domingo. 

O tarifaço, na avaliação da entidade, não tem fundamentos econômicos e caracteriza ruptura de uma relação comercial centenária. Assim, o momento requer atenuação das polarizações políticas e abertura de espaço negocial “amigável”. 

Respaldo econômico

O posicionamento da CNI se baseia no fato de que, há mais de 15 anos, os Estados Unidos registram superávit constante no intercâmbio de bens e serviços com o Brasil. Entre 2015 e 2024, o saldo positivo acumulado alcançou US$ 91,6 bilhões em mercadorias e US$ 256,9 bilhões em serviços, segundo dados oficiais norte-americanos.

Além disso, as alíquotas brasileiras são quatro vezes menores à alíquota nominal média de 11,2% registrada na Organização Mundial do Comércio. Em 2023, a tarifa aplicada pelo país sobre produtos norte-americanos foi de 2,7%. 

A sobretaxa anunciada pelo governo Trump também põe fim à previsibilidade que sustenta milhares de contratos de longo prazo, com consequências tanto para fábricas nacionais, quanto para fábricas dos Estados Unidos que dependem de componentes e de insumos brasileiros. No Brasil, o impacto direto envolve cerca de 10 mil empresas. 

Impactos na economia e na indústria

A CNI ressalta ainda que, em 2024, para cada R$ 1 bilhão exportado para os Estados Unidos, foram gerados 24,3 mil empregos; R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Ainda de acordo com a confederação, os EUA são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, setor que alcançou US$ 181,9 bilhões em exportações, em 2024. O valor representa aumento de 2,7% em relação ao ano anterior. O recorde foi motivado pelas exportações de bens de consumo não duráveis e semiduráveis, que cresceram 11% em relação a 2023.

Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Janaína Michalskì

Jornalista profissional há 20 anos, cobre os poderes executivo e legislativo desde 2019. Passou pelas redações da TV Globo no Rio de Janeiro e em Brasília e ajudou a criar o projeto eleições da Globo News. Também escreve ficção e é especialista em branding publicitário.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Exportações

Ver editoria completa
Brasil Gestor23 de outubro de 2026

Tarifaço: São João da Barra (RJ) lidera perdas municipais nas exportações aos EUA; veja ranking

Redução das exportações do município fluminense foi de US$ 590,6 milhões entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com os 12 meses anteriores; cidade é seguida pela capital do estado e por Santos (SP)

ApexBrasil22 de outubro de 2026

SIAL Paris: empresas brasileiras ampliam busca por mercados externos em meio a tarifas dos Estados Unidos

Das 156 companhias brasileiras presentes na feira, 74 foram afetadas pelas medidas comerciais norte-americanas; ApexBrasil atua na promoção dos produtos nacionais e na diversificação dos destinos das exportações

Exportações22 de outubro de 2026

Tarifaço dos EUA afeta 1.135 municípios, aponta estudo da CNM

Dados da Confederação Nacional de Municípios mostram que 271 cidades chegaram a zerar vendas para o mercado norte-americano; prejuízos chegam a R$ 66,8 bi para os municípios, com maiores retrações em cadeias produtivas do petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura

t-page