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LOC.: O saneamento básico no Brasil melhorou com a nova lei de 2020 no que diz respeito a valores de investimento. Contudo, os leilões de água e esgoto ainda têm pouca disputa. Isso quer dizer que poucas empresas entram na briga pelos contratos, e o consumidor acaba não vendo queda nas tarifas nem mais qualidade nos serviços.
Um levantamento inédito da consultoria Radar PPP, a pedido da CNN, mostra que, desde a aprovação da Lei 14.026, foram assinados SETENTA E DOIS contratos de concessão no país. Mas SESSENTA E DOIS POR CENTO desses leilões tiveram no máximo dois participantes. Em QUARENTA E DOIS POR CENTO dos casos havia apenas uma empresa ou consórcio concorrendo. E em outros VINTE POR CENTO, apenas dois grupos disputaram.
Exemplos recentes mostram como isso se repete. No Piauí, em outubro de 2024, e em dois blocos do Pará, em 2025, não houve disputa: a Aegea Saneamento foi a única participante e levou todas as concessões.
O leilão mais esperado desde a aprovação do novo marco, da Sabesp, também contou com apenas uma proposta válida, da Equatorial Energia.
Já o leilão de PPPs da Saneago terminou sem ofertas válidas. Dois blocos não despertaram interesse, enquanto um terceiro teve a única proposta desclassificada por problemas no edital.
O cenário mostra que, embora a legislação tenha ajudado a atrair investimentos, ainda é preciso aumentar a competição entre empresas para gerar melhores condições econômicas e tarifas mais justas para a população.
Reportagem, Marquezan Araújo