Brasil - Covid-19·05 de julho de 2020

Projeto prevê construção de banheiros a famílias de baixa renda no RS

Especialistas afirmam que falta de saneamento e de infraestrutura em banheiros pode aumentar incidência da Covid-19

Por Paulo Oliveira
Ouvir · 00:02:26

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

Lavar as mãos e manter a casa limpa são medidas simples para evitar o contágio da Covid-19. No entanto, segundo a levantamento da Fundação João Pinheiro, sete milhões de moradias no Brasil sofrem com alguma carência de infraestrutura, como a falta de abastecimento de água e serviço de esgoto. Para ajudar famílias gaúchas de baixa renda, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS) pretende realizar melhorias sanitárias em residências, com a construção ou adaptação de banheiros. 

Intitulado “Nenhuma Casa Sem Banheiro”, o projeto conta com o apoio do governo do Rio Grande do Sul, órgãos de fiscalização do estado e da ONU-Habitat. São estimados investimentos de aproximadamente R$ 500 mil. O programa pretende atender 11 mil domicílios, dado contabilizado pelo IBGE de casas no Rio Grande do Sul que não possuem banheiros. No entanto, o conselho acredita que o número esteja subestimado e seja maior. 

Segundo o presidente do CAU Rio Grande do Sul, Tiago Holzmann da Silva, ficar em casa para boa parte da população, infelizmente, pode apresentar um risco de contágio da Covid-19. “Para grande parte da população do Rio Grande do Sul essa quarentena significa estar, muitas vezes, em uma situação precária em casas que não oferecem condições de moradia, qualidade de vida e segurança.”

Ele afirma que “lavar as mãos, ter acesso a água potável, sabonete e água limpa, o distanciamento social e morar em uma casa bem ventilada para muitos brasileiros é uma grande dificuldade”.

Planejamento

De acordo com José Stédile, secretário de Obras e Habitação do Rio Grande do Sul, o crescimento desordenado das cidades gaúchas é o principal fator para que as moradias não tenham infraestrutura adequada. “A concentração de pessoas nas grandes cidades fez com que aumentasse muito as áreas irregulares, as moradias sem água e banheiro e sem as mínimas condições de se viver”. Segundo Stédile, a prioridade do estado é regularizar esses locais ao invés de construir novos loteamentos.

Um artigo publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) investigou os efeitos da falta da coleta de esgoto no aumento de casos do novo coronavírus. Baseado em pesquisas realizadas em diversos países, o estudo afirma que o vírus pode ficar através das fezes dos infectados, o que representa um risco a domicílios sem saneamento básico e sem acesso à água potável. É o que diz uma das professora a frente da pesquisa, Larissa Mies Bombardi, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da instituição. 

“As pessoas estão se infectando por conta dos resíduos das fezes. Ou seja, vírus presentes nos dejetos que entraram em contato com a água. É por isso que a falta de saneamento básico propicia o aumento de casos da Covid-19”, alegou a pesquisadora. 

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo gaúcho afirma que divulgará em breve uma chamada pública para arquitetos e urbanistas que tenham interesse em atuar no projeto “Nenhuma Casa sem Banheiro”. As prefeituras interessadas também vão contribuir financeiramente com as reformas realizadas em seus municípios.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Paulo Oliveira

Paulo Oliveira é formado pela Universidade de Brasília (UnB), já foi repórter freelancer do jornal O Estado de São Paulo e repórter do SindSaúde DF. Como estagiário, passou pelo Jornal Destak, TV Câmara e Rede Globo.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Covid-19

Ver editoria completa
Gripe14 de outubro de 2026

Fiocruz alerta para crescimento de casos graves de síndrome respiratória em AL, RR e SE

Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz no último dia 8, aponta os três estados com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco e sinal de crescimento na tendência de seis semanas; aumento é puxado por crianças e adolescentes

Gripe25 de julho de 2026

Hospitalizações por vírus respiratórios apresentam queda na maior parte do Brasil, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz indica redução de casos graves associados ao VSR e às influenzas A e B, mas alerta para a necessidade de vacinação e manutenção dos cuidados preventivos

Gripe19 de julho de 2026

Casos de VSR apresentam queda no país, mas permanecem elevados em diversos estados, aponta InfoGripe

Boletim da Fiocruz mostra redução das internações por vírus sincicial respiratório, enquanto influenza A também perde força entre adultos e idosos

t-page