Brasil - Violência·15 de janeiro de 2024

Norte é única região do país com aumento no número de homicídios em 2023

Região é marcada por intensos conflitos ambientais e disputa pelas rotas do tráfico

Por Yumi Kuwano
Ouvir · 00:03:05

TV Brasil

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

O Norte do país apresentou um aumento de 2,67% no índice de homicídio doloso de janeiro a outubro do ano passado, em comparação com 2022, sendo a única região que não registrou queda. A taxa por 100 mil habitantes é a segunda maior do Brasil — 21,69, perdendo apenas para o Nordeste, onde chegou a 23,40, de acordo com painel do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O estado do Pará é disparado o mais violento, com 2.016 mortes do tipo registradas, à frente do Amazonas, com 1.030. 

De acordo com análise de especialistas da área da segurança pública, a região vive uma crescente na violência, principalmente nos últimos quatro anos, mas sempre foi berço para diversos crimes. Diferente de todas as outras regiões do país, o Norte é marcado por intensos conflitos, de exploração, grilagem de terras e contrabando.

O professor da Universidade do Estado do Pará e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Aiala Colares, explica a dinâmica que atinge toda a região. 

“Hoje a relação que se estabelece do narcotráfico com as facções da região vem ganhando uma outra dimensão, que é a relação disso com a grilagem de terras, com processo de exploração do ouro em terras indígenas. E aí claro que acaba tendo uma característica muito diferente em relação a outras regiões. Eu diria que essa é a diferença, essa conexão da atividade criminal do narcotráfico com outras atividades ilícitas, mais ligadas aos crimes ambientais”, comenta. 

A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Paula dos Santos, ressalta o interesse dos novos grupos criminosos que também chegam à região.

“A gente tem fronteiras com os três maiores produtores de cocaína do mundo — Colômbia, Bolívia e Peru. Você já tem rotas de tráfico ali antigas e os grupos começam a ter muito mais organização, então você escala a violência”, destaca. 

A pesquisadora diz ainda que o Estado brasileiro nunca fez uma mediação dos conflitos existentes, que ao longo das últimas cinco décadas foram só aumentando cada vez mais.

“Dificilmente você tem o controle de quem é dono do que em termos fundiários. Com essa coisa de aberturas de estradas que começa com a Transamazônica, todas essas grandes estradas são vetores desse tipo de ocupação. Você abre uma estrada e em torno dela começam a surgir desmatamento, venda irregular e grilagem de terra”, comenta. 

Pará 

Sobre os altos índices no estado do Pará, Colares aponta alguns fatores mais marcantes, como as disputas nos municípios de Parauapebas e Marabás, questões fundiárias, além do fato de que muitas áreas do estado são federais desde a década de 1970. 

“São áreas que deveriam ser jurisprudência da União. O estado do Pará, através dos seus mecanismos de segurança pública, tem áreas que só o Ibama pode entrar, Polícia Federal, Forças Armadas. Quando você avalia o problema, tem um corpo técnico muito limitado. Isso acaba sendo um fator que dificulta que tenhamos uma política efetiva muito mais presente no combate à violência no estado”, comenta

Para Maria Paula, não há resposta simples para resolver este cenário — e é preciso empenho de todos os lados: “Da mesma forma que foi para chegar nisso, a saída é um processo longo, de negociação, de mediação de interesses e de conflitos entre grupos legais e ilegais para quebrar o poderio dessas organizações”.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Yumi Kuwano

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Violência

Ver editoria completa
Segurança Pública24 de julho de 2026

Anuário de segurança pública: Nordeste concentra as 10 cidades mais violentas do Brasil em 2025

Cinco municípios baianos e três cearenses aparecem no ranking de Mortes Violentas Intencionais; Maranguape (CE) lidera a lista e Amapá é o estado com maior taxa de violência letal

Crime10 de junho de 2026

Insegurança patrimonial encarece produção da indústria e piora competitividade, diz CNI

Segundo pesquisa, 62% dos industriais apontam aumento dos custos finais devido às despesas com segurança no transporte e 45% com investimentos gerais em proteção

Segurança Pública28 de maio de 2026

Atlas da Violência: veja ranking dos municípios mais violentos do Brasil; 1,8% somam metade dos homicídios

Metade dos assassinatos registrados no país se concentrou em apenas 99 cidades

t-page