Agronegócios - Exportações·20 de janeiro de 2024

Mesmo com safra recorde em 2023, agro ainda carece de incentivos do governo

Quase metade de tudo que saiu do país no ano passado veio do agro; foram US$ 166,55 bilhões, com destaque para grãos como soja e milho

Por Lívia Braz
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Foto: Reprodução Ministério da Agricultura e Pecuária

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O produtor de soja de Goiás Leonardo Boaretto comemora o recorde na exportação do agro em 2023. Resultado positivo decorrente ainda da safra de 2022, quando o país produziu a maior quantidade de grãos da história, sobretudo soja e milho. 

“Uma superprodução, um excedente enorme, que fez com que os preços no mercado interno recuassem e o exportador aproveitou para comprar soja e milho baratos.” 

Foram US$ 166,5 bilhões em exportações do agronegócio em 2023, 4,8% a mais que no ano anterior. O que fez com o que o agro fosse responsável por 49% de tudo que saiu do brasil no período — 1,5% a mais que em 2022. Os grãos exportados chegaram a 193 milhões de toneladas. 

Mas outros produtos também ajudaram a fazer com que o Brasil atingisse números tão grandiosos, somando US$ 1 bilhão em vendas externas. A exportação de carnes subiu 5,4%. A de açúcar, 15,1%. Já sucos, frutas e couros e seus produtos subiram 6%, 5,9% e 19,7%, respectivamente. 

Por setor, os que mais contribuíram nas vendas do agronegócio foram: 

Oferta e demanda

A superprodução fez com que os preços internos e externos caíssem. Apesar do grande volume de vendas, os produtores acabaram reduzindo o lucro. Segundo o economista César Bergo, isso desagradou parte do setor. 

“No segundo semestre, principalmente, os preços começaram a cair, levando muitos produtores a vender os produtos abaixo dos preços que eles esperavam. É claro que isso gerou muita reclamação no setor, mas faz parte do jogo econômico, que envolve a famosa lei da oferta e da demanda.” 

O produtor Leonardo Boaretto ressalta que, mesmo com a produção recorde, ainda faltam incentivos do governo para facilitar, por exemplo, o escoamento das mercadorias. 

“Nós precisamos ter urgentemente mais ferrovias, para diminuir o custo do transporte rodoviário. Precisamos melhorar os nossos portos, precisamos ter institutos de pesquisas confiáveis que consigam fazer estimativas precisas da produção nacional. Isso a gente não tem hoje”, reclama.

Além disso, Boaretto cobra a redução de encargos e impostos e, ao mesmo tempo, mais linhas de crédito para financiamento de máquinas e despesas de custeio. Outro ponto de insatisfação é a legislação trabalhista, que foi feita para o trabalhador urbano, mas excluiu o assalariado do campo. 

Cenário que pode melhorar, concordam economista e produtor, com mais investimentos no setor. “É preciso que os produtores tenham acesso às tecnologias, que é de fundamental importância para melhorar não só o desempenho do setor, mas também vai permitir que esse setor alcance mais produtividade e sustentabilidade”, acredita César Bergo.

A projeção do especialista em economia é que, passada a safra recorde do ano passado, a produção de 2024 seja menor, o que pode ser contornado com preços mais atrativos dos insumos agrícolas e pecuários.

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SOBRE

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.

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