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LOC.: Nos primeiros 15 dias de 2026, as despesas públicas brasileiras já ultrapassaram 233 bilhões de reais, segundo dados da plataforma Gasto Brasil — ferramenta desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB.
Na comparação com a arrecadação de impostos registrada pelo Impostômetro, também no dia 15, o Gasto Brasil aponta que a despesa pública superou a receita, que somou 203 bilhões e 700 milhões de reais.
Em nota, a CACB defende a necessidade de uma reforma administrativa no Estado para melhorar o planejamento e a eficiência das ações governamentais. A entidade incentiva a implementação de mecanismos de controle do teto de gastos, além de critérios claros de investimento.
Para o economista André Galhardo, o avanço do gasto público este ano indica que o país poderá ficar sem margem para despesas discricionárias em 2027 — aquelas não obrigatórias, voltadas ao custeio e aos investimentos.
TEC./SONORA: André Galhardo, economista
“Algumas despesas ainda seguem um ritmo mais acelerado do que o arcabouço determina. Esse é o grande risco fiscal pelo qual o Brasil passa. Os gastos com previdência, por exemplo, crescem num ritmo muito superior ao que é permitido. Então ele vai ocupando o espaço que antes era ocupado por outro tipo de despesa, que são as despesas discricionárias. De modo geral, a aceleração desses gastos pode diminuir a capacidade do Estado de investir.”
LOC.: A elevação dos gastos públicos, aliada à alta carga tributária, também pressiona o setor produtivo e afeta a geração de empregos, como avalia o vice-presidente jurídico da CACB, Anderson Trautman.
TEC./SONORA: Anderson Trautman, vice-presidente Jurídico da CACB
“Infelizmente, o ônus tributário cresce à medida que, obviamente, há um descontrole do gasto público. Se nós fôssemos mais eficientes, precisaríamos de um custo tributário menor. Não é o que ocorre, ocorre o inverso.”
LOC.: A plataforma Gasto Brasil reúne, em um único portal, informações sobre as despesas primárias pagas por todos os entes federativos — União, estados, Distrito Federal e municípios. A ferramenta também é capaz de identificar eventuais defasagens de informação por parte dos entes subnacionais.
Os números podem ser acompanhados em tempo real no site gastobrasil.com.br.
Reportagem, Paloma Custódio