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LOC.: As despesas públicas brasileiras já ultrapassaram 560 bilhões de reais em 2026. O dado pode ser acompanhado em tempo real na plataforma Gasto Brasil, ferramenta desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB.
Na comparação com a arrecadação de impostos registrada pelo Impostômetro, a despesa pública superou a receita, que somou cerca de 480 bilhões de reais.
Em ano de eleições e Copa do Mundo, o governo federal deverá concentrar esforços na busca pelo equilíbrio fiscal. É o que orienta o Relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente, a IFI.
Para 2026, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias previa exceções ao arcabouço fiscal equivalentes a 6,7% das despesas. Esse percentual, no entanto, foi ampliado para 8,2% na lei sancionada. Isso representa cerca de 230 bilhões de reais em gastos excluídos das regras fiscais.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, alerta para os riscos na execução do Orçamento de 2026, especialmente no que se refere às despesas com benefícios previdenciários.
TEC./SONORA: Alexandre Andrade, diretor da IFI
“Os parâmetros utilizados foram relativamente otimistas, e a dotação desta despesa foi reduzida entre a fase de sanção do orçamento e a proposta original. Então, identificamos riscos de aumento de contenções, seja por bloqueios ou contingenciamento de despesas discricionárias.”
LOC.: Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB, entende ser inevitável, em algum momento, a aprovação de reformas impopulares, como a administrativa e a previdenciária, além da tributária, que começou a vigorar este ano.
TEC./SONORA: Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB
“Seja qual for o governo, não importa se ele é de direita, esquerda ou centro. Vai chegar em 2027 e vai ter que mexer com algumas reformas de impacto para tentar equilibrar as contas públicas.”
LOC.: Diante desse cenário, a IFI avalia que, em 2026, o governo federal deverá priorizar uma gestão fiscal de curto prazo e adiar medidas estruturais, tanto de aumento de tributos quanto de cortes expressivos de gastos. Com a dificuldade de obter apoio parlamentar, o objetivo tende a ser zerar o déficit primário, e não alcançar o centro da meta de superávit, fixado em 0,25% do PIB.
Reportagem, Paloma Custódio