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LOC.: A economia brasileira vive um cenário de “equilíbrio precário”, segundo avaliação da Instituição Fiscal Independente, a IFI, órgão vinculado ao Senado Federal. A avaliação consta no mais recente Relatório de Acompanhamento Fiscal divulgado pela entidade.
Segundo a IFI, o atual arcabouço fiscal continua se sustentando porque o governo consegue cumprir as metas por meio do uso de descontos previstos na legislação — mecanismos que permitem excluir determinadas despesas do cálculo oficial do resultado primário.
Além disso, o cumprimento das metas também é favorecido pelo uso da banda de tolerância em torno do centro da meta fiscal. No entanto, a IFI alerta que o governo continua gastando mais do que arrecada nas despesas primárias, enquanto a dívida pública mantém trajetória de crescimento.
O relatório também destaca que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e derivados abriram espaço para medidas mitigadoras, renúncias fiscais e concessão de subvenções. Segundo a entidade, esse cenário também favoreceu discussões como o fim da “taxa das blusinhas” e contribuiu para a formação de uma margem de segurança para o cumprimento das metas fiscais de 2026.
Para a IFI, a proximidade do período eleitoral reduz a possibilidade de medidas mais profundas de ajuste fiscal; e a reestruturação fiscal e orçamentária mais ampla deverá ficar para o próximo mandato presidencial.
O relatório também analisa o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, que deve ser votado pelo Congresso até 17 de julho de 2026. A IFI avaliou os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo para embasar a proposta e examinou as projeções fiscais derivadas dessas estimativas.
Segundo a entidade, o cenário se torna cada vez mais desafiador diante das metas previstas para o resultado primário: um superávit de 0,5% do PIB em 2027; 1% em 2028; 1,25% em 2029; 1,5% em 2030.
A IFI ressalta que os parâmetros macroeconômicos utilizados pelo governo e que fundamentam os números presentes no PLDO 2027 são extremamente mais otimistas que os utilizados pela entidade.
Por isso, as divergências nas projeções para inflação, crescimento econômico, juros e câmbio produzem diferenças relevantes nas estimativas de arrecadação, despesas, resultado primário e evolução da dívida pública nos próximos anos.
Reportagem, Paloma Custódio