Brasil - entrevistado-da-semana1·23 de outubro de 2020

“Perdemos um terço da estrutura produtiva. Nossa retomada vai depender do aumento do consumo no Brasil”, diz coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, Priscila Linck fala sobre como o mercado de calçados tem reagido à pandemia e a expectativa de retomada do crescimento do segmento no cenário pós-crise

Por Thiago Marcolini
Ouvir · 00:05:17

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

A crise causada pela pandemia da Covid-19 teve impacto significativo no mercado calçadista brasileiro. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de calçados, o maior fora da Ásia. O mercado doméstico é diversificado e há uma série de polos produtivos espalhados pelas cinco regiões do país. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçado (Abicalçados) apontam que a produção do produto teve queda de quase 35% entre janeiro e agosto de 2020. 

Em entrevista exclusiva ao portal Brasil61.com, a coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck, explicou os desafios que o mercado calçadista tem enfrentado desde o início da crise sanitária no país. Segundo Linck, em números gerais, o segmento continua acumulando quedas no segundo semestre, mas em menor escalda quando comparados os números com os seis primeiros meses de 2020.

“Se pegarmos o acumulado desde junho, é melhor do que o primeiro semestre. Claro que continuamos com as quedas, mas não tão significativas quanto nos seis primeiros meses. A partir do final do ano, diria os dois últimos meses, esperamos que essa evolução se acelere um pouco, mas de fato uma recuperação é esperada a partir do ano que vem”, diz. 

Em relação aos empregos, segundo a Abicalçados, foram cerca de 60 mil postos de trabalho perdidos entre março e junho. Priscila chama atenção para um princípio de reação do mercado em julho e para as medidas do governo federal de socorro às empresas, mas destaca que a retomada será gradual.

“Se olharmos para os dados de emprego mais precisamente, o estado de São Paulo teve impacto bem significativo, seguido de Nova Serrana (MG) e do Rio Grande do Sul. O Nordeste teve impacto também, mas não foi tão grande quanto nos estados mais ao Sul. No mês de julho houve geração de postos de trabalho.

Foram pouco mais de mil postos. Claro que não é suficiente de reverter o quadro de queda, mas é um indicativo de virada. Naturalmente, essas medidas de manutenção de empego e renda, como a redução da jornada de trabalho e suspensão de contratos de trabalho, ajudaram bastante o setor ter uma intensidade significativa de mão-de-obra”, destaca. 



Quanto ao cenário do mercado calçadista após a pandemia, Priscila explica que a retomada do crescimento do setor está diretamente ligada à recuperação econômica do Brasil, já que 85% da produção brasileira fica em território nacional. 

“É um setor dependente de demanda. Está atrelado a questões de emprego e renda. Claro que, no mercado doméstico, a abertura gradual do comércio teve impacto positivo na retomada de pedidos que a indústria vem recebendo. É difícil prever o cenário porque é um setor que vai depender da retomada macroeconômica do país. Nossa retomada vai depender da retomada do consumo no Brasil”, ressalta. 

“É um processo gradual para se reconstituir essa parcela da produção que foi perdida, mas esperamos conseguir iniciar esse processo a partir do ano que vem”, completa. 

Quanto ao cenário do mercado externo, Priscila ressalta que o Brasil já vinha observando instabilidade nas exportações desde o começo do ano. Entre janeiro e agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve redução de cerca de 33% nas exportações de calçados. Os principais destinos dos produtos brasileiros são os Estados Unidos, a Argentina e a França. 

“Já vínhamos acumulando queda nas exportações desde janeiro. Diferente do mercado doméstico, que a gente só teve essa reversão a partir de março, sendo que a produção de calçados vinha crescendo. Nos meses de junho, julho e agosto, observamos quedas menos intensas, mas ainda assim quedas. Um aspecto positivo é que, ainda que continuemos acumulando sucessivas quedas nas exportações, se olharmos para o mês de agosto, em comparação com o mesmo mês de 2019, conseguimos aumentar as exportações para os Estados Unidos, que é nosso principal mercado”, pontua. 


Veja a entrevista completa: 

SOBRE

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre entrevistado-da-semana1

Ver editoria completa
Desastres naturais17 de setembro de 2023

Dinheiro para amenizar tragédias se perde no "ralo da burocracia e da corrupção", diz Julvan Lacerda

Diante da possibilidade de nova greve dos prefeitos em todo o país, 1º vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Julvan Lacerda, afirma que a burocracia e a corrupção impedem que o sofrimento nas cidades atingidas por desastres naturais seja atenuado

Reforma Tributária09 de junho de 2023

Reforma tributária: "Não podemos abrir mão da simplificação", afirma Duquesa de Tax

Especialista em direito tributário, Maria Carolina Gontijo diz que simplificar o sistema deve ser o principal objetivo da reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, sob pena de "jogar todo nosso esforço fora". A especialista ficou conhecida nas redes sociais por explicar de um jeito simples assuntos complicados do mundo dos impostos

22 de maio de 2023

“Chicote da censura pode estalar se Congresso não regulamentar a internet”, avisa deputado Cezinha de Madureira

Novo presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Radiodifusão alerta que deputados e senadores se encham de coragem para votar o projeto de controle das redes sociais, caso contrário “é o STF quem vai ditar as normas”. O colegiado presidido por Cezinha de Madureira foi instalado há poucos dias e já reúne 240 congressistas. O objetivo da Frente é defender os interesses do setor, como a atualização das leis e a desburocratização da atividade.

t-page