Saúde - Saúde·30 de julho de 2022

TDAH terá semana nacional de conscientização

Lei sancionada em julho cria a data no período que abrange o dia 1º de agosto. Transtorno atinge de 3% a 5% das crianças em idade escolar

Por Thiago Marcolini
Ouvir · 00:02:17

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

A Semana Nacional de Conscientização sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) será celebrada a partir deste ano, no período que abrange o dia 1º de agosto. A data foi instituída a partir da Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020, aprovada pelo Congresso Nacional em junho e sancionada neste mês de julho. 

O objetivo da nova lei é conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce. O TDAH é um transtorno neurocomportamental, mais frequente na infância e no sexo masculino, e que acompanha a pessoa até a vida adulta. Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), o distúrbio acomete de 3% a 5% das crianças em idade escolar no mundo.

São três os principais sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade, que podem aparecer de forma isolada ou conjunta. No primeiro, a pessoa tem dificuldade, por exemplo, de concentração e de seguir instruções. Na hiperatividade, o comportamento envolve movimentação constante e dificuldade em manter-se quieto, enquanto o último sintoma pode levar a respostas precipitadas e dificuldade de espera. Esses sintomas podem ainda ser divididos entre leve, moderado e grave, conforme o impacto que causam.

“Os sintomas devem sempre estar presentes antes dos 12 anos de idade e devem ocorrer em pelo menos dois ambientes, ou seja, não ocorre somente em casa ou na escola. Eles (sintomas) podem interferir no funcionamento social, acadêmico e profissional da pessoa”, explica Letícia Brito Sampaio, neurologista infantil e membro da Academia Brasileira de Neurologia. 

Diagnóstico

Segundo a neurologista infantil, o diagnóstico do TDAH é clínico, ou seja, não há um exame para detectá-lo. “Estudos mostram que pais que têm diagnóstico de TDAH apresentam riscos de 2 a 8 vezes maior de seus filhos apresentarem o mesmo transtorno, com risco semelhante entre os irmãos”, destaca Letícia. 

O autônomo Davi Augusto, de 29 anos, foi diagnosticado com TDAH aos sete anos de idade. Para ele, a maior dificuldade era a concentração. “O desafio da vida é a questão de organização e atenção. Perdemos a atenção por alguma coisa mínima que passa ao nosso lado, desconcentra. Mas um ponto forte: quando gosta de algo, fixa e dispõe de toda energia para tal tarefa”, diz Davi.

Tratamento

O início do tratamento precoce é parte fundamental para pacientes com TDAH. O método é multiprofissional, composto por orientação aos pais, participação da escola, terapia cognitiva comportamental e tratamento medicamentoso. Este último, desde o diagnóstico confirmado, também é essencial para diminuir os sintomas do TDAH e dos transtornos disruptivos associados. “É superior às terapias adjuvantes (tratamento que é feito de maneira complementar após a realização de um procedimento principal), principalmente no início do tratamento”, esclarece Letícia Brito. 

O tratamento é feito com base na idade e na presença ou não de comorbidades, como transtorno disruptivo de comportamento ou comportamento opositivo desafiador. Em crianças pré-escolares, o procedimento inicial prevê intervenção psicossocial e participação da família. Em casos em que não há melhora e que há prejuízos de desenvolvimento social, por exemplo, pode haver medicação estimulante. Em crianças, adolescentes e adultos, transtornos como o de ansiedade e o de humor devem ser tratados antes do TDAH, quando diagnosticados simultaneamente ao Déficit de Atenção.

Para Davi Augusto, o tratamento precoce foi importante para a qualidade de vida que ele tem hoje. “Hoje, o TDAH não afeta na minha vida pessoal e profissional por conta do tratamento que foi feito. É difícil aceitar no começo, mas depois de certo tempo de tratamento vemos que não é nada demais quando se tem apoio”, diz. 

Sobre a Semana Nacional de Conscientização do TDAH, ele acredita que irá ao encontro da necessidade de diagnóstico precoce feito pelas famílias. “Acho a lei muito importante porque hoje tem muitas famílias que não conseguem perceber que o filho tem algum tipo de TDAH.” Para a doutora Letícia, a nova lei poderá quebrar tabus que envolvem o distúrbio. “Há um mito muito grande, dizem que não existe. A semana vai ser importante para esclarecer as pessoas sobre quadro clínico e necessidade de tratamento”, conclui.  

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Saúde

Ver editoria completa
Ministério da Saúde24 de outubro de 2026

Ministério da Saúde inicia oferta de nove medicamentos oncológicos pelo SUS

Novos tratamentos contemplam 13 indicações de câncer e devem beneficiar mais de 116 mil pacientes; expansão prevê 23 medicamentos até o fim do ano

Vacina22 de outubro de 2026

Anvisa aprova nova vacina contra 21 sorotipos de bactéria causadora de pneumonia e meningite

Imunizante Capvaxive é indicado para adultos a partir de 18 anos; ainda não há previsão de disponibilização no SUS

Saúde21 de outubro de 2026

Exame feito em clínica particular poderá valer no SUS; projeto aprovado na Câmara vai ao Senado

PL 1.123/2025 foi aprovado pelos deputados no último dia 15 e segue para o Senado; texto prevê que exames privados só sejam aceitos se seguirem validade e padrões de qualidade definidos pelo SUS

t-page