
Voltar
LOC.: O setor produtivo manifestou preocupação com o projeto de lei enviado pelo governo federal na última terça-feira (14), em regime de urgência, que trata da redução da escala de trabalho 6x1.
O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB, Alfredo Cotait Neto, disse que o tema é complexo e necessita de mais tempo para discussão, sugerindo que a votação seja adiada para 2027.
Segundo ele, trata-se de uma matéria extremamente sensível para ser diluída e contaminada por um período eleitoral.
Na última quarta-feira (15), o presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, deputado federal Leur Lomanto Júnior, do União da Bahia, adiou a votação das Propostas de Emenda à Constituição que tratam da redução da jornada de trabalho.
Para Cotait, a ampliação do prazo para análise do tema é indispensável para garantir a participação do setor produtivo no debate.
O vice-presidente da CACB, Valmir Rodrigues da Silva, defende que o debate sobre a redução da jornada de trabalho seja feito com mais profundidade e critérios técnicos.
TEC./SONORA: Valmir Rodrigues da Silva, vice-presidente da CACB
“A jornada reduzida vai gerar mais custo, principalmente para as micro e pequenas empresas, que terão que repassar esse custo aos seus produtos e serviços. Se fosse dialogado com mais profundidade, encontraríamos o melhor caminho, dando sempre a melhor condição para que as pessoas possam ter vida próspera. E infelizmente, com um projeto com cunho de populismo e eleitoral, nós não vamos realmente avançar com qualidade sobre o tema.”
LOC.: Fernando Moraes, empresário do setor de telefonia e presidente do Conselho Superior da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), avalia que a possível extinção da escala 6x1 deve ser analisada com cautela.
TEC./SONORA: Fernando Moraes, presidente do Conselho Superior da Faciap
“O comércio e os serviços dependem fortemente de mão de obra e operam com margens apertadas. Uma mudança desse porte, sem transição e sem contrapartidas como desoneração da folha e ganhos de produtividade, pode elevar custos, reduzir competitividade e afetar a geração de empregos. Defendemos diálogo e equilíbrio para que o avanço nas relações de trabalho não resulte em efeitos negativos para a economia.”
LOC.: A CACB protocolou um manifesto no parlamento e no governo federal, assinado por mais de 60 entidades do setor produtivo, alertando para os impactos da redução da jornada sem um debate aprofundado. No documento, as organizações afirmam que o governo não tem considerado as “graves consequências” econômicas da mudança.
Reportagem, Paloma Custódio