Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Reforma tributária pode ter papel decisivo para neoindustrialização brasileira

O tema foi discutido em seminário na Câmara dos Deputados. Especialistas, autoridades e parlamentares apontaram a importância de investimentos em inovação e da reforma tributária para o processo de retomada industrial


O assessor especial do ministro da Fazenda, Rafael Ramalho Dubeux, aponta a inovação como uma ferramenta necessária para que o Brasil possa ter um “salto de produtividade” e atingir o  desenvolvimento econômico. Para Dubeux, o processo de retomada do setor industrial depende do desenvolvimento tecnológico, mas também da reforma tributária.

“Entre outros aspectos, pela desburocratização, pela simplificação do sistema que ela traz e por evitar que a gente exporte tributos, como a gente acaba fazendo hoje com o modelo de cumulatividade que o regime atual acaba provocando para o empresário brasileiro que vai exportar.”  O assessor participou do seminário “Neoindustrialização: Inovação e Descarbonização", no último dia 17, na Câmara dos Deputados.

O deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP) é membro da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ele concorda que a reforma tributária é um ponto fundamental para a neoindustrialização e defende a atuação conjunta dos poderes Executivo e Legislativo para definição de políticas de Estado capazes de fomentar e garantir segurança ao setor. 

“A gente não pode imaginar que cada indústria brasileira vai criar o seu centro de pesquisa dentro dela. A gente tem hoje um sistema de inovação no Brasil. A gente tem startups, a gente tem universidades, institutos de pesquisa. Então, você deve pensar como é que isso pode agir conjuntamente. O que nós precisamos é integrar melhor isso. Por isso a política pública é essencial, para que você faça que todos esses elos atuem conjuntamente. Por isso, eu acredito que definir políticas públicas é algo absolutamente estratégico e fundamental para o desenvolvimento do nosso país”, afirma o parlamentar. 

Necessidade de política industrial moderna para o país é consenso em seminário na Câmara

Mão de obra qualificada

Segundo o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do Senai Nacional, Roberto de Medeiros Junior, mão de obra qualificada é um pilar para viabilizar a inovação demandada pela chamada neoindustrialização. Ele defende a integração dos esforços de instituições de pesquisa com o setor industrial.

“Estamos falando aqui de uma qualificação que tem que ser desenvolvida também pelo Senai, mas pelas as universidades junto com as indústrias, trabalhando em parceria  com as ICTs. E esse tipo de qualificação demora, é complexo, mas é necessário. Se a gente quer fazer uma inovação que tenha um caráter nacional, uma inovação do produto nacional que possa competir globalmente, a gente precisa ter pessoas qualificadas discutindo e trabalhando em projetos de ênfase internacional”, destaca. 

Descarbonização

De acordo com o secretário de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rodrigo Rollemberg, nenhum outro país tem a capacidade do Brasil de oferecer condições propícias para acelerar o processo de descarbonização das indústrias. Ele ressalta o potencial do país na agenda verde e defende políticas públicas para evitar que o Brasil se torne apenas exportador de energia limpa, por exemplo. 

“É muito importante que ela seja utilizada para descarbonizar nossas indústrias para que a gente tenha produtos manufaturados verdes, com baixa pegada de carbono e com valor agregado. Ninguém tem o potencial de produzir aço verde, cimento verde, química verde, fertilizantes verdes como o Brasil. E no meu entendimento isso sim é um processo de neoindustrialização. Uma industrialização assentada em novas bases”, pontua Rollemberg. 
 

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LOC.: A inovação é uma ferramenta necessária para que o Brasil possa ter um salto de produtividade e atingir o desenvolvimento industrial e econômico. É o que aponta o assessor especial do ministro da Fazenda, Rafael Ramalho Dubeux. Para ele, o processo de retomada do setor industrial depende também da reforma tributária.

TEC./SONORA: Rafael Ramalho Dubeux,  assessor especial do ministro da Fazenda

“Tem um papel absolutamente decisivo para viabilizar  essa neoindustrialização do Brasil. Entre outros aspectos pela desburocratização, pela simplificação do sistema que ela traz e por evitar que a gente exporte tributos como a gente acaba fazendo hoje com o modelo de cumulatividade que o regime atual acaba provocando para o empresário brasileiro que vai exportar.”
 


LOC.: O deputado federal Vitor Lippi, do PSDB de São Paulo, concorda que a reforma tributária é um ponto fundamental para a neoindustrialização. Ele defende a atuação conjunta dos poderes Executivo e Legislativo para definir políticas para o setor. 

TEC.SONORA:  deputado federal Vitor Lippi (PSDB-SP)

“A gente não pode imaginar que cada indústria brasileira vai criar o seu centro de pesquisa dentro dela. A gente tem hoje um sistema de inovação no Brasil. A gente tem startups, a gente tem universidades, institutos de pesquisa. Então você deve pensar como é que isso pode agir conjuntamente. Por isso, eu acredito que definir políticas públicas é algo absolutamente estratégico e fundamental para o desenvolvimento do nosso país”


LOC.: Eles participaram do seminário “Neoindustrialização: Inovação e Descarbonização", na Câmara dos Deputados. Também presente no evento, o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia Senai Nacional, Roberto de Medeiros Junior, defendeu que mão de obra qualificada é outro pilar para viabilizar a inovação demandada pela neoindustrialização. 

Reportagem, Fernando Alves