Infraestrutura - Água Potável·08 de junho de 2024

Perdas de água no Brasil estão 20% acima da média dos países desenvolvidos

O país obteve a 78ª posição na lista das 139 nações analisadas, aponta pesquisa do Trata Brasil

Por Lívia Azevedo
Ouvir · 00:02:28

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

O Brasil apresenta um cenário de perdas de água tratada desfavorável se comparado com os países desenvolvidos. É o que mostra um estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. A pesquisa revela que o país alcançou a 78ª posição em uma lista com 139 nações analisadas. A perda da água produzida no Brasil é hoje de 37,8%, enquanto a média dos países desenvolvidos é de 15%.

Para a presidente executiva do Trata Brasil, o país ainda não está em uma situação confortável. Luana Pretto diz que essa posição está abaixo do esperado e demonstra que o governo e as entidades envolvidas com o setor não estão se comprometendo o suficiente para oferecer um serviço de qualidade à população.

“Essa perda é subdividida em perda física, que são os vazamentos que a gente vê muitas vezes no pavimento, aflorados no pavimento de uma rua. São perdas que podem ser visíveis quando a gente consegue ver o vazamento ou ainda vazamentos ocultos, quando a gente muitas vezes tem aquela tubulação que foi rompida, que fica vazando durante muito tempo embaixo do pavimento”, explica.

Luana ainda acrescenta: “A gente tem também as perdas comerciais, que é quando a gente tem erro de medição, quando a gente tem furto, os chamados gatos”, complementa.

De acordo com o levantamento, o Brasil está distante tanto de países desenvolvidos, como de seus pares em desenvolvimento. Com a 78ª posição no ordenamento das 139 nações analisadas, o país está atrás da China (20,54%), da Rússia (26,59%) e da África do Sul (33,73%), estando à frente somente da Índia, que tinha 41,27% de perdas de água.

Cenário nacional de perdas nos últimos cinco anos

Ao levar em consideração o cenário nacional, Cariacica (ES) está entre os municípios com as evoluções de maior destaque. A região apresentou redução no índice nos últimos cinco anos – a cidade evoluiu em 34,1 pontos percentuais e apresentou apenas 25,03% de perdas de água em 2022, índice próximo da meta estabelecida para 2034 pela Portaria 490/2021 do MDR, de se alcançar 25% em perdas na distribuição (IN049). 

Na opinião da advogada especialista em meio ambiente Paula Fernandes, é necessário perceber que o problema existe. Mas reconhece que trazer o problema do saneamento, do fornecimento de água para a agenda de políticas públicas é um desafio. 

“A gente consegue observar inadequações já históricas na execução da política nacional de saneamento básico que, assim como é visível, não tem sido de forma alguma executada de modo a atender a população em geral”, lamenta.

Conforme o estudo, o indicador mais comumente utilizado para a análise geral de perdas no país, o IN049 – Índice de Perdas na Distribuição – busca estabelecer uma relação entre a água produzida e a água efetivamente consumida nas residências. Os dados mostram uma discreta melhora no último ano, porém o valor ainda é significativamente superior à meta de 25%. 

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Lívia Azevedo

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Água Potável

Ver editoria completa
Saneamento18 de agosto de 2026

Universalização do esgoto está contratada ou em estudo em 74% dos municípios, aponta levantamento

No abastecimento de água, 4.463 cidades, o equivalente a 81% dos municípios brasileiros, estão a caminho da universalizaçãocha

Saneamento17 de agosto de 2026

Saneamento: CNI defende nova agenda de investimentos em saneamento a partir de 2027

Proposta busca ampliar concessões e aproximar o país das metas de universalização previstas para 2033

Abastecimento de água19 de junho de 2026

Autorizada instalação de mais de 20 mil cisternas para ampliar acesso à água no Semiárido

Investimento superior a R$ 250 milhões beneficiará mais de 20 mil famílias em oito estados brasileiros e reforçará a segurança hídrica em regiões vulneráveis às mudanças climáticas.

t-page