Brasil - Eleições·26 de abril de 2022

Mais de 1,1 milhão de jovens tiraram o título de eleitor em 2022, maior número das duas últimas eleições

Enquete da Unicef mostrou que 9 a cada 10 jovens acreditam que o voto tem o poder de transformar a realidade

Por Angélica Córdova
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Entre janeiro e março deste ano, a Justiça Eleitoral registrou 1.144.481 novos eleitores de 15 a 18 anos. O número é maior que o registrado nas eleições de 2018 e 2014, quando os novos eleitores não ultrapassaram 900 mil. Apenas no mês de março, a procura cresceu 45%, segundo dados do TSE divulgados na última quarta-feira (20). 

Parte desse crescimento expressivo se dá por iniciativas como a da ONG Nossas com a campanha “Cada Voto Conta”. Por meio dessa ação, após tirar o título, o jovem eleitor pode se cadastrar na plataforma para participar do mutirão. O objetivo é estimular outros jovens a fazerem o alistamento eleitoral e, em troca, os multiplicadores podem ganhar prêmios. O último ranking parcial do projeto contabilizava que 2.523 adolescentes convenceram outros amigos a tirar o título. 

Ana Beatriz Diniz, de 16 anos, faz parte da iniciativa. A estudante do segundo ano do Ensino Médio é de São Luís, no Maranhão. Além de tirar o título, ela também estimulou outros adolescentes a fazê-lo. Montaram postos nas escolas para ajudar os colegas com o passo a passo para tirar o título. 

“Tem o site do TSE, mas, muitas vezes, não chega à mão de estudantes que têm falta de conectividade, não têm acesso à internet. O meu senso de votar é algo que se multiplica. Então eu sempre pensei em fazer ações para que esse meu direito de votar e tirar o título também chegasse a outros adolescentes”, pontua Bia Diniz. 

“Eu enxergo a política como uma ferramenta que a gente pode construir junto. Falar sobre política, de uma forma aberta. Votar para mostrar para os adolescentes que a gente pode começar esse processo de democracia e pode começar a desmistificar que política é só no Congresso. Política tem que estar na boca do povo: está na nossa comunidade, nosso dia a dia”, expõe a estudante que mora na periferia da capital maranhense. 

Uma enquete realizada pela Unicef ouviu 3 mil adolescentes de 15 a 17 anos.  A pesquisa  revelou que 9 em cada 10 acreditam que o voto tem poder de transformar a realidade. Entre os participantes, 64% pretendem votar neste ano. “Esse resultado revela um engajamento de adolescentes e jovens com a questão da participação eleitoral que é muito importante. Por que eles vivem o dia a dia das políticas públicas, sabem como é a qualidade da educação, como é a qualidade dos serviços públicos de saúde, como funcionam as políticas de assistência social”, considera o coordenador do programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, Mário Volpi. 

Prazo para tirar título de eleitor

O prazo para tirar novo título ou fazer atualizações nas informações junto à Justiça Eleitoral se encerra em 4 de maio. Todo o procedimento pode ser feito pela internet por meio do site do Tribunal Superior Eleitoral. São necessários os seguintes documentos digitalizados (ou a foto deles): 

  • Documento oficial de identidade com foto (frente e verso).
  • Comprovante de residência recente (no caso de transferência, prazo mínimo de três meses de residência no novo endereço).
  • Comprovante de pagamento de débito com a Justiça Eleitoral (quando houver débito)
  • Comprovante de quitação do serviço militar, para o alistamento, sendo o requerente do sexo masculino (para homens com 19 anos que ainda não tenham título eleitoral);
  • Tirar uma selfie segurando, ao lado de sua face, o documento oficial de identificação.
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SOBRE

Angélica Córdova

Jornalista, produtora de conteúdo para diferentes linguagens (texto, imagem e áudio, para web e impressos). Com 17 anos de experiência no mercado de comunicação, já atuou como repórter, editora e gestora de comunicação em agências de comunicação e veículos midiáticos. Tem mestrado em Comunicação na área de Jornalismo, suas narrativas e linguagens. Estudou a representação das mulheres do campo em veículos urbanos. Atua como professora universitária nos cursos de Jornalismo e Publicidade desde 2006. Já passou por diferentes faculdades e, atualmente, leciona no Uniceub e no IDP. Além disso, é repórter na Agência 61 de Rádio e tem uma agência de comunicação Olaria7, em que faz produção de conteúdo para contas de instituições ligadas ao setor produtivo, organizações do terceiro setor entre outras.

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