Há pouco menos de três anos, quando foi mãe pela primeira vez, Aline Menezes Tiburcio, de 34 anos, resolveu se tornar doadora de leite materno. Atualmente, com o nascimento do pequeno Gustavo, há cerca de quatro meses, ela voltou a praticar a boa ação que ajuda a salvar a vida de milhares de bebês prematuros.
O centro de referência em doação de leite humano no estado do Paraná fica em Londrina. Até abril deste ano, o Banco de Leite Humano Maria Lucilia Monti Magalhães forneceu o leite materno vindo de doação a mais de 540 recém-nascidos, segundo dados da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH), da Fiocruz. As visitas domiciliares para recolhimento de leite materno cresceram nos quatro primeiros meses de 2019: foram 186, em janeiro, frente a 252, em abril.
Desde o nascimento do segundo filho, Aline continua doando. Logo após a segunda gestação, a nutricionista percebeu que tinha, mais uma vez, excesso na produção de leite. Em vez de desperdiçar, ela resolveu retomar o hábito de doar.
“Eu sabia da importância do leite materno para outras crianças. E aí eu pensei que não podia desperdiçar. Foi então que eu procurei o banco de leite humano e eles me auxiliaram. Teve dias que eu chegava a doar de meio litro até 800ml”, disse.
Os dados da rede BLH mostram ainda que são 800 doadoras e quase 700 litros de leite humano distribuídos nos quatro primeiros meses deste ano. Se ampliados os números para o estado, são mais de cinco mil doadoras e seis mil litros coletados – o Paraná é o líder do ranking da região Sul.
No dia 19 de maio, foi celebrado o Dia Nacional da Doação de Leite Humano. O leite materno é o único, reúne os nutrientes importantes para o desenvolvimento dos bebês e salva vidas de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internado cujas mães não podem amamentar.
De acordo com o Ministério da Saúde, um pote de leite humano pode alimentar até 10 bebês por dia. Dependendo do peso do prematuro, 1ml já o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.
É importante destacar que só o ser humano é capaz de produzir o alimento essencial para bebês. Por mais que a indústria tente, não consegue fabricar o que é produzido pelas mulheres. O produto processado não tem, por exemplo, anticorpos.
As mães que quiserem doar podem procurar qualquer banco de leite humano. A retirada do leite pode ser feita em casa, no entanto, exige cuidados de higiene da mulher, como explica a enfermeira e coordenadora do Banco de Leite Humano Maria Lucilia Monti Magalhães, Márcia Benevenuto.
“Em casa, essa mulher vai primeiro prender o cabelo, colocar o gorro, touca ou pano limpo na cabeça, usar a máscara, não falar, espirrar ou tossir em cima desse leite, estar no lugar tranquilo e limpo da casa, lavar as mãos, inclusive o antebraço, com água e sabão, e lavar as mamas só com água. O leite materno vai em um pote que tem que estar devidamente higienizado ou esterilizado”, explica.
Os materiais para retirada do leite materno em casa, como máscara e toca, são fornecidos pelos Bancos de Leite Humano. O Banco de Leite Humano Maria Lucilia Monti Magalhães fica na Avenida Roberta Koch, número 60, na Vila Operária. O telefone de contato é o (43) 3371-2390. Repetindo: (43) 3371-2390.
Doe leite materno, alimente a vida. Para mais informações, acesse saude.gov.br/doacaodeleite. Ministério da Saúde. Governo Federal. Pátria amada, Brasil.