Brasil - Crise econômica·24 de dezembro de 2020

“Há um erro central de diagnóstico por parte do governo federal: ter minimizado a crise”, diz ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planeamento

Em entrevista ao Portal Brasil 61, Raul Velloso classifica como desastrosa a atuação do governo durante a pandemia e aponta o déficit previdenciário como um dos desafios das gestões municipais em 2021

Por Thiago Marcolini
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Na avaliação do economista e ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, Raul Velloso, a atuação do governo federal no combate à pandemia é um desastre. Em entrevista exclusiva ao Portal Brasil 61, Velloso afirmou que houve um erro de diagnóstico por parte do Executivo ao minimizar a pandemia de Covid-19. Para o economista, o Brasil dá um exemplo ruim no cenário internacional de combate à crise sanitária. 

“O problema é que há um erro central de diagnóstico por parte do governo federal: ter minimizado a crise. O mundo vai ter a maior queda de crescimento do PIB da história. O ministro da Economia falou, em meados de março, no Congresso, em combater a pandemia com R$ 3 a 5 bilhões. Isso não vai acontecer. Já devemos ter gasto R$ 300 bilhões, graças às ações do Congresso e das ações municipais. Primeiro é o diagnóstico errado da dimensão do problema, e agora a resistência à aplicação das vacinas. O Brasil está dando um péssimo exemplo do que um país em desenvolvimento e com pretensão de se posicionar melhor no cenário internacional pode fazer. Diria que, em uma palavra, a ação do governo se chama desastre”, diz. 

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Sobre os desafios das esferas administrativas para o próximo ano, Velloso diz que será necessário entender o que é mais urgente para recuperação econômica dos municípios e aponta o déficit previdenciário como uma das prioridades das gestões locais. 

“Primeiro é ter o socorro para repor as perdas financeiras que a pandemia impôs aos municípios. Tem que haver um esquema no Congresso, como houve esse ano, para calcular as perdas causadas e repor mediante transferência de recursos financiados por emissão monetária. A outra coisa é identificar o principal problema que enfrentavam antes da pandemia: é o gigantesco déficit previdenciário. Claro que isso varia de município para município. Cada um é uma história. Quanto maiores e mais antigos os municípios, mais grave o problema, mais difícil é resolver”, destaca o economista. 

Sobre o déficit previdenciário, Velloso afirma que mesmo que haja compensação financeira por transferência de recursos, as mudanças no regime de aposentadoria devem afetar a capacidade de investimento dos municípios. “Antes da crise, já havia uma situação complicada de se administrar, que é a explosão dos déficits previdenciários nos entes públicos subnacionais. A solução precisa ser dada porque não podem deixar de pagar os aposentados, e como o crescimento tem sido muito forte, isso vai subtrair recursos dos investimentos em infraestrutura”, pontua.  

Para compensação dos impactos da pandemia, Raul Velloso explica que a emissão monetária é o caminho mais rápido a ser adotado pelo Executivo. “A própria União tem seus caminhos para se socorrer. Mas ela tem de estender esses caminhos, que é basicamente usar recursos decorrentes de emissão monetária. É a forma mais rápida e não vejo nenhum problema para a economia se isso acontecer durante a pandemia. Por aí é que tem que sair a solução. Emitir moeda para compensar os entes públicos por esse desastre”, afirma. 

SOBRE

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

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