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LOC.: A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, avalia que a taxa básica de juros já deveria ter iniciado um ciclo de queda para evitar o agravamento da desaceleração econômica e a perda de ritmo do mercado de trabalho. A entidade criticou a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que manteve a Selic em 15%.
Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, a permanência dos juros nesse patamar é uma medida excessiva e prejudicial. De acordo com a CNI, a taxa de juros real deve concluir 2025 em torno de DEZ E MEIO POR CENTO ao ano. O resultado corresponde a cerca de CINCO VÍRGULA CINCO PONTOS PERCENTUAIS acima da taxa neutra determinada pelo Banco Central.
Na avaliação do diretor de Economia da CNI, Mario Sérgio Telles, de maneira geral, esse cenário reflete em desaceleração da economia. Para ele, o quadro atual pode comprometer o desenvolvimento do país no próximo ano, em várias frentes, como o consumo, por exemplo.
TEC./SONORA: Mario Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI
“O crescimento das concessões de crédito, que no ano passado foi mais de 10%, este ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem em torno de 3%. Então, o crédito novo, para gerar consumo, está cada vez crescendo menos. Esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos. Para o ano que vem, estamos projetando um crescimento do consumo de apenas 1,8%. É uma queda muito grande, provocada por juros.”
LOC.: Estimativas divulgadas pela CNI também revelam que a taxa básica de juros de equilíbrio deveria estar em torno de DEZ E MEIO POR CENTO ao ano. Nesse caso, há indício de que a Selic atual está QUATRO VÍRGULA CINCO PONTOS PERCENTUAIS acima do nível necessário. Para a entidade, esse cenário reflete uma postura monetária conservadora do Banco Central.
No terceiro trimestre de 2025, o PIB brasileiro aumentou somente ZERO VÍRGULA UM POR CENTO, ou seja, uma perda de ritmo na comparação com o segundo trimestre, quando a economia registrou um salto de ZERO VÍRGULA TRÊS POR CENTO. Também houve retração em relação ao primeiro trimestre, que contou com alta de UM E MEIO POR CENTO.
Quanto ao setor industrial, entre janeiro e outubro deste ano, a produção aumentou apenas ZERO VÍRGULA OITO POR CENTO, em relação ao mesmo período do ano passado.
Reportagem, Marquezan Araújo