Brasil - Energia·14 de março de 2022

Geração de energia no Brasil teve um acréscimo em janeiro de 482 MW, montante suficiente para atender cerca de 1 milhão de pessoas

Mercado livre de energia bateu recorde em 2021, com mais de 3 GW instalados

Por Paloma Custódio
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Geração de energia elétrica no Brasil teve um acréscimo de 482 megawatts (MW), somente em janeiro de 2022. O montante é suficiente para atender cerca de 1 milhão de habitantes. Ao longo de 2021, a geração de energia se expandiu em cerca de 7.562 MW, além de 200 usinas que entraram em operação, o que pode atender cerca de até 17 milhões de domicílios. Os dados são do Ministério de Minas e Energia (MME).

O professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Ivan Camargo afirma que a expansão da energia é o maior desafio para o setor elétrico brasileiro.

“O brasileiro médio consome da ordem de dez vezes menos que o norueguês médio. E seis vezes menos que o americano. O consumo médio do brasileiro é muito abaixo da média mundial. O setor elétrico brasileiro tem que continuar expandindo e tem que expandir usando essas características naturais: sol, vento, usando essas características para se manter sustentável.”

Mercado livre de energia

O mercado livre de energia bateu recorde, em 2021, com potência instalada de mais de 3 gigawatts (GW). Além disso, 75% das novas usinas implantadas no ano passado foram eólicas e fotovoltaicas, consideradas energias limpas. As informações são do MME.

O professor Ivan Camargo explica que o mercado livre de energia é um espaço onde os grandes consumidores podem negociar livremente a compra de eletricidade. Ele foi criado na década de 90 com o nome de Mercado Atacadista de Energia e hoje se chama Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Rodrigo Ferreira, aproximadamente 70% dos novos projetos de geração de energia são viabilizados pelo mercado livre.

“Isso é muito bom. No mercado livre, quem dá o drive da expansão da geração é o consumidor, porque o empreendedor vai ter que desenvolver projetos que entreguem a energia que o consumidor quer comprar. Isso é um sinal fundamental para o mercado. E caberá ao poder concedente, no caso ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica, estabelecer leilões com um critério de garantir segurança ao sistema.”

Marco Legal do Setor Elétrico

Ivan Camargo explica que o Marco Legal do Setor Elétrico (PL 414/2021) pode contribuir para a expansão do mercado livre de energia.

“Ele faz isso diminuindo a carga mínima que o consumidor tem que ter para poder escolher o seu fornecedor de energia. Eram três megawatts; foi caindo. Hoje quem tem uma instalação de um painel solar na sua casa já pode definir que vai consumir energia de seu painel solar. Isso beneficia muito o consumidor, porque aumenta a competitividade e faz com que a energia elétrica caminhe para um preço de mercado, um preço mais justo.”

Em entrevista ao portal Brasil61.com, o deputado federal Alexis Fonteyne (Novo-SP), afirmou que, sem competitividade do mercado livre, as empresas de fornecimento de energia ficam confortáveis em um mercado já cativo. “Havendo essa abertura de competição, elas vão ter que atender melhor seus clientes; vão ter que baixar o preço para competir e poder conquistar mais clientes”.

Atualmente, o PL 414/2021 aguarda a constituição de Comissão Temporária pela Mesa

Geração Distribuída

A Geração Distribuída também bateu recordes. Até o final de 2018, a potência instalada era de 680 megawatts (MW), com 88 mil unidades consumidoras. Hoje, a potência instalada passa dos 13 GW, com mais de um milhão de unidades consumidoras, principalmente de fontes limpas, renováveis e não poluentes, como eólica, solar e biomassa. Atualmente, 98% da Geração Distribuída no Brasil é solar.

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“O aumento da potência instalada de Geração Distribuída faz parte dessa grande expansão do setor. O preço da energia solar no Brasil caiu muito. O preço da energia eólica também caiu muito. Portanto ela vai continuar crescendo e esse aumento gera uma energia mais limpa, o que é muito bom e indispensável para que consigamos fazer uma transição energética que não agrida tanto ao meio ambiente”, aponta Ivan Camargo.

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SOBRE

Paloma Custódio

Paloma Custódio é jornalista, radialista e graduada em Relações Internacionais. Atuou como produtora e repórter na Rede Boa Vontade de Comunicação (LBV), integrou a equipe de comunicação da ONU Brasil, foi roteirista do Grupo Bandeirantes e repórter do Agro Estadão.

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