Política - Eleições 2022·30 de agosto de 2022

Eleições 2022: presidenciáveis debatem propostas para setor de comércio e serviços em Brasília

Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Soraya Thronicke participaram do evento. Lula e Simone Tabet afirmaram ter incompatibilidade de agenda e não compareceram.

Por Thiago Marcolini
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Três candidatos à Presidência da República estiveram presentes nesta terça-feira (30) em evento promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) para debater propostas relacionadas ao setor. Participaram Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL) e Soraya Thronicke (União Brasil). Lula (PT) e Simone Tebet (MDB) alegaram incompatibilidade de agenda e não compareceram.

No evento, cada candidato subiu ao palanque com cinco minutos para as considerações iniciais. Na sequência, representantes dos setores de comércio e serviços direcionaram perguntas das suas áreas de interesse, como reformas estruturais, empregabilidade e segurança nacional, por exemplo. Para cada pergunta, oito minutos para a resposta e, por fim, os candidatos tiveram cinco minutos para as considerações finais.

O primeiro a discursar foi Ciro Gomes. O candidato enfatizou que, se eleito, buscará um sistema tributário mais eficiente, já que o atual, segundo Ciro, tem excesso de tributos. O pedetista prometeu unir seis impostos - ICMS, IPI, PIS/Cofins, IPI e CSLL - em um só, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), modelo que é comum nos países desenvolvidos. 

“A minha proposta considera o problema como ele é. Minha ideia é propor uma reforma tributária que simplifique a tributação com IVA, deslocar a tributação dos pobres, da classe média e do empreendedorismo, especialmente do comércio, para a propriedade e para as fortunas dos super ricos no Brasil, que não pagam imposto”, disse Ciro. 

O candidato do PDT destacou ainda a reestruturação das dívidas dos estados, o que prometeu reduzir em troca do aumento de investimentos, e a não ampliação do gasto com pessoal. Ciro afirmou que, caso vença as eleições de outubro, cortará 20% das renúncias fiscais concedidas pelo governo federal. 

Em relação ao tema emprego, sem se aprofundar no tema, prometeu criar um novo código brasileiro de trabalho no primeiro semestre. Para o pedetista, a Consolidação das Leis Trabalhistas está desatualizada em relação ao atual contexto tecnológico do mercado de trabalho. “A velha CLT, que prestou enorme serviço historicamente, não atende mais o mundo das tecnologias digitais, teletrabalho, aplicativos”, destacou. 

Bolsonaro pretende zerar IPI

Após Ciro Gomes, foi a vez do atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. Perguntado sobre como pretende estimular a competitividade das empresas e melhorar o ambiente de negócios no Brasil, Bolsonaro se colocou à disposição de empresários para negociação de normas regulatórias. “Milhares delas [normas] foram revogadas. Isso poupa a burocracia por parte de vocês [empresários]. Tenho falado com o Paulo Guedes para continuar com essa batida. Estamos sempre dispostos a fazer isso”, disse o atual presidente. 

Bolsonaro prometeu ainda aumentar o efetivo da Polícia Federal para reforçar a segurança nas fronteiras secas do Brasil, tema que foi alvo de perguntas dos empresários presentes no debate. 

Sobre a geração de empregos, o presidente voltou a destacar a Carteira Verde Amarela, tentativa do governo federal de baratear as contratações de funcionários para as empresas, a partir da redução de encargos. “É menos encargos para exatamente dar mais qualificação ao jovem no Brasil”, destacou. 

Outro ponto de debate nesta terça-feira foi o plano para equilíbrio das receitas e despesas brasileiras. Bolsonaro afirmou que pretende reduzir a máquina pública por meio da redução de concursos para, segundo ele, preservar os próprios servidores. A respeito de impostos, o candidato do PL reafirmou a ideia da atual equipe econômica em zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). “Paulo Guedes tem dito que quer zerar o IPI no Brasil. Ele afirma que isso vai buscar a reindustrialização do país”, ressaltou. 

Ao final do discurso, disse que pretende incentivar o modal ferroviário no Brasil como forma de estimular o setor de infraestrutura nacional. Prometeu, ainda, zerar PIS/COFINS para ração de peixe para potencializar a produção em todo o país. 

Imposto Único Federal

Por fim, subiu ao palco a candidata do União Brasil, Soraya Thronicke. Durante todo o discurso, Thronicke chamou atenção para a importância da economia para o desenvolvimento nacional e destacou que pretende, caso eleita, substituir 11 impostos federais por um só, o Imposto Único Federal (IUF).

“A nossa proposta é a reforma tributária, com um imposto só. Imposto este que será cobrado por meio da movimentação financeira, depósito e saque, com a alíquota de 1,26%”, disse a candidata.

Segundo Soraya, a ideia central do seu governo será desburocratizar os atuais sistemas estruturais brasileiros. A candidata do União Brasil destacou que pretende isentar da cobrança de imposto de renda e do INSS para quem ganha até cinco salários mínimos. 

Por fim, Thronicke debateu ainda sobre a dívida ativa. “Nossa proposta para a geração de empregos é: quem está na dívida ativa vai poder compensar seu débito com a geração de empregos. Por exemplo, para 100 mil reais vai ter que gerar X empregos e de salários por determinado tempo. Conseguimos fazer uma compensação e tirar o pessoal do vermelho”, concluiu. 

Sobre a Unecs

Criada em novembro de 2014, a Unecs tem como finalidade defender os interesses dos setores do comércio e de serviços no Brasil, contribuindo para o debate, o intercâmbio de ideias e o fortalecimento desses segmentos. Atualmente, é formada por oito organizações brasileiras do setor. 

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SOBRE

Thiago Marcolini

Jornalista formado há quatro anos, com experiência em redação, rádio e assessoria de imprensa. Trabalhou na cobertura da Copa do Mundo 2014 e nas duas últimas eleições presidenciais. Antes de ingressar na equipe do Brasil61, passou pela Band News FM, Agência Brasília, além de ter trabalhado também com comunicação corporativa.

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