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LOC 1: O Brasil registrou avanços importantes nos principais indicadores de saneamento básico entre 2019 e 2023, segundo o estudo “Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025”, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, com dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, o SINISA.
Segundo o SINISA, em 2023, 83% da população tinha acesso à água tratada, mas apenas 55% estavam ligados à rede de esgoto. E do total coletado, menos de 52% passaram por tratamento adequado. O desempenho deixa o Brasil atrás até de outros países em desenvolvimento.
As diferenças entre regiões se destacam. Sul e Sudeste apresentam índices próximos da universalização. No outro extremo, Norte e Nordeste concentram os maiores déficits. No Norte, cerca de 61% da população têm acesso à água e menos de 23% à coleta de esgoto; no Nordeste, a coleta de esgoto ainda não alcança metade dos habitantes, registrando apenas 33,7%.
Outro problema é o desperdício. Mais de um terço da água tratada se perde na distribuição.
Em 2019, o índice era de pouco acima de 39%. Em 2023, caiu para 36,6%.
O tratamento de esgoto segue como o indicador mais atrasado do saneamento no país. Nenhuma região alcançou a meta da norma brasileira, que prevê tratar 80% do esgoto até 2033. O Sudeste foi quem mais se aproximou, com 62,24%. Já Norte e Nordeste ficaram muito atrás, com 22,88% e 34,67%, respectivamente, e ainda pioraram no período.
Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, os desafios para universalizar o saneamento até 2033 passam pelo aumento dos investimentos. Ela alerta para as consequências de não cumprir as metas.
TEC./SONORA: Presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto.
“Se o Brasil não conseguir cumprir essas metas estabelecidas até 2033, nós temos muitas consequências. A primeira delas, claro, a questão ambiental envolvida. Nós lançamos, por dia, mais de 5.200 piscinas olímpicas de esgoto bruto na natureza. Esse esgoto vai infiltrar no solo, vai chegar nos rios, causando poluição e depois também nos mares. Então temos uma consequência de degradação ambiental de uma maneira geral, mas também temos uma consequência social bastante grande, porque há uma piora na saúde da população, sem saneamento básico.”
LOC 2: O estudo conclui que, embora o Marco Legal do Saneamento esteja estimulando avanços, para o Brasil atingir a meta de universalizar o saneamento até 2033, será necessário acelerar investimentos, regularizar contratos e reduzir as desigualdades regionais.
O estudo completo pode ser conferido no site do Instituto Trata Brasil: www.tratabrasil.org.br
Reportagem, Deborah Souza.