Foto: Arquivo Pessoal
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“A variante indiana do novo coronavírus é altamente transmissível”, diz infectologista da SBI

Em entrevista ao portal Brasil61.com, o infectologista Julival Ribeiro explicou as diferenças entre a variante indiana e outras cepas da Covid-19 e as medidas que o País pode adotar para minimizar a disseminação em território nacional


O Brasil registrou na noite desta quinta-feira (27) o oitavo caso de infecção pela variante indiana do novo coronavírus. Embora as autoridades de Saúde descartem a transmissão comunitária no País, uma vez que todos os casos confirmados até o momento tiveram origem no exterior, especialistas temem que a cepa cause uma nova onda de contaminação.
 
Diante disso, o Ministério da Saúde já implementa, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES/MA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), barreiras sanitárias para impedir a disseminação da variante indiana da Covid-19 no Brasil. A estratégia é aumentar a testagem em aeroportos e rodovias maranhenses e nas regiões de fronteira, além de acompanhar de perto a cepa, por meio do sequenciamento genômico.

Arte: Brasil 61
 
O portal Brasil61.com foi atrás de Julival Ribeiro, infectologista, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), para tentar entender qual a diferença entre a variante indiana e outras cepas do novo coronavírus que já circulavam pelo País e quais medidas podem ser adotadas para impedir nova ascensão na curva de casos.
 
Segundo ele, o que difere a variante indiana das já conhecidas pelos brasileiros, como a P1, que circulou com força em Manaus, é a maior transmissibilidade. “Em relação especificamente a essa variante que chegou aqui no Brasil, vinda da Índia, sabe-se que ela tem três mutações, está em mais de cinquenta países e é altamente transmissível. Mas não se tem estudo ainda se ela causa doença mais grave ou não”, explica. 

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Terceira onda da covid-19? 

A preocupação de especialistas quanto à maior facilidade com que esta cepa passa de uma pessoa para outra se deve ao receio de que a variante indiana seja responsável por uma nova onda de infecções no País, o que alguns já ousam chamar de terceira onda. 
 
“Infelizmente, devido não só a essas variantes que temos no Brasil, mas um relaxamento por parte da população em relação às medidas restritivas e preventivas, se supõe que nós podemos ter uma terceira onda aqui no Brasil. A chance não é zero de essa cepa começar a ser transmitida na comunidade e tenhamos muitos casos pela cepa indiana, como foi a P1, que aconteceu em Manaus, que a gente viu, distribuiu-se para o País inteiro”, avalia.

Não existe nenhuma vacina 100% eficaz, mas o grande mérito das vacinas é que mesmo se você pegar o coronavírus, você não tem casos graves, ou seja, não precisa de hospitalização ou de terapia intensiva. E as vacinas continuam, pelo menos, da Astrazeneca e da Pfizer, tendo bom resultado em relação a essa variante da Índia. 

Julival Ribeiro,
Infectologista, membro da SBI.

Durante o bate-papo, o especialista falou sobre as ações que acredita serem importantes para conter a nova variante em território brasileiro e o impacto da cepa sobre a eficácia das vacinas. Confira agora a entrevista com Julival Ribeiro.

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LOC.: Olá! Sejam bem-vindos ao Entrevistado da Semana. Eu sou o Felipe Moura e nesta edição nós vamos conversar com o Julival Ribeiro. Ele é infectologista e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).  
 
O bate-papo de hoje é sobre a chegada da variante indiana do novo coronavírus ao Brasil.  
 
Doutor Julival, seja muito bem-vindo. 
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI

Obrigado!

LOC.: Para começarmos o nosso bate-papo, Julival: o que difere essa variante indiana das outras cepas que já conhecemos da Covid de presentes no Brasil? 

TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“Olha, veja bem, nós temos a cepa original, é o coronavírus original e quando ele começou a infectar milhões de pessoas, o que ocorreu durante esse período? Estamos vendo que ele forma variantes, ou seja, ele tem alterações do coronavírus original. Em relação especificamente a essa variante que chegou aqui no Brasil, vinda da Índia, se sabe que ela tem três mutações, já está em mais de cinquenta países e é altamente transmissível, mas não se tem estudo ainda se ela causa doença mais grave ou não.”
 

LOC.: Entendi, Julival. E que medidas as autoridades de Saúde e a população podem adotar para impedir a disseminação desta cepa? 
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“As medidas mais importantes que as autoridades têm que tomar: fazer uma política pública em que todas as pessoas devem respeitar as medidas restritivas e as medidas preventivas. Deve-se testar, testar, testar, que é o lema da Organização Mundial de Saúde. Quanto mais teste nós fazemos, podemos precocemente ver quem está com o coronavírus e isolar essas pessoas e ir atrás dos contactantes, fazer teste, também fazer a quarentena. Outra medida muito importante é a vacinação. Nós temos que vacinar, no mínimo, em torno de dois milhões de pessoas aqui no Brasil, por dia. E o que nós estamos observando é que não tem essa continuidade dessa vacinação aqui no Brasil.”
 

LOC.: Quais as consequências que tantas mutações do vírus podem trazer no enfrentamento à pandemia? 
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“Nós sabemos, agora, em relação, por exemplo, a variante da África do Sul, a variante em relação a da Índia, [que] ela diminui um pouco a efetividade da vacina, apesar de ainda responder a essas variantes, diminui a efetividade da vacina. E a grande preocupação do mundo é que com tantas variantes surgindo pode ocorrer um momento em que ela seja resistente a essas vacinas e seja necessário que a gente, por exemplo, tenha que fazer nova vacina para atuar com essas variantes.”

LOC.: Julival, levou-se um tempo até que a entrada de pessoas vindas da Índia, África do Sul e outros países onde existem essas variantes fosse proibida. Acredita que é inevitável termos transmissão comunitária no Brasil? 
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“Infelizmente, essa vigilância nos aeroportos, nas fronteiras, foi feita tardiamente. Mas é importante ter feito, mas eu vou lhe dizer que a chance não é zero de essa cepa começar a ser transmitida na comunidade e venhamos ter muito número de casos pela cepa indiana como foi a P1, que aconteceu em Manaus que a gente viu, se distribuiu para país inteiro. Por isso que temos que fazer, além de vigiar os casos, fazendo PCR para ver se a pessoa está infectada ou não, é fundamental se fazer o sequenciamento genético para ver qual é a variante, realmente se ela está se disseminando no Brasil, sobretudo agora com a variante que chegou da Índia, que é mais transmissível.”
 

LOC.: Tá certo, Julival. Para encerrar o nosso bate-papo, em relação às vacinas que são aplicadas no Brasil, mais precisamente da AstraZeneca, Pfizer e CoronaVac, elas são eficazes contra a variante indiana?
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“Em relação à variante da Índia, ela diminuiu um pouco a efetividade da vacina, mas mantém a resposta para essas pessoas que tomaram. Não existe nenhuma vacina 100% eficaz, mas o grande mérito das vacinas é que mesmo se você pegar o coronavírus, você não tenha casos graves, ou seja, não precise de hospitalização ou de terapia intensiva. E elas continuam, pelo menos, da AstraZeneca e da Pfizer, tendo bom resultado em relação a essa variante da Índia. Em relação à CoronaVac, não li nenhum artigo, deve estar se fazendo estudo para ver o comportamento dela em relação à essa variante.”
 

LOC.: E, com isso, nós chegamos ao final do nosso bate-papo. Julival Ribeiro, muito obrigado por nos receber. 
 
TEC./SONORA: Julival Ribeiro, infectologista, membro da SBI
 

“Obrigado.”
 

LOC.: O Entrevistado da Semana fica por aqui. Obrigado pela sua audiência e até a próxima. Tchau! 
 
Reportagem, Felipe Moura.