Saúde - undefined·01 de fevereiro de 2020

Aumenta número de casos de sífilis em Goiás

Os casos congênitos de sífilis, transmitidos de mães para filhos durante a gestação ou parto, somaram 3,3 notificações para cada grupo de 100 mil habitantes, em Goiás, no ano passado. O número é considerado alto e preocupante pelas autoridades em saúde

Por Agência do Rádio
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Goiás segue uma tendência nacional de aumento no número de casos de sífilis. Devido ao histórico, o HIV é a Infecção Sexualmente Transmissível que mais alerta a população. Justamente por isso, a preocupação e o controle dele é mais bem-sucedido. A sífilis, por outro lado, demora a apresentar os sintomas e muitas pessoas transmitem por não saberem que têm. 

A afirmação é de Milca Prado, da coordenação de ISTs e Aids de Goiás. Segundo ela, a sífilis se tornou uma epidemia crescente. Apenas no estado, os casos congênitos, transmitidos de mães para filhos durante a gestação e o parto, detectados em 2019, foram de 3,3 para cada 100 mil habitantes. O número é considerado alto e preocupante. Segundo ela, uma das causas principais é a falta do uso de preservativo durante as relações sexuais. É por isso que o estado os distribui gratuitamente em todos os municípios. 

De todas as formas de prevenção, é a mais segura e sem nenhum efeito colateral. Mesmo assim, Milca explica que, no Brasil inteiro, existe uma noção cultural de que os preservativos não são necessários, ou que a exigência deles representa falta de confiança nos relacionamentos. 

Foi por isso que a funcionária pública de Goiânia, Eunice Carmu, 51 anos, pegou o HIV há 18 anos atrás. Segundo contou, ela estava em um relacionamento com um homem que sabia que estava infectado, mas que escondeu a condição dela. Quando a moradora do bairro Jardim Belo Horizonte engravidou, o companheiro sumiu e apenas avisou uma parente que a criança poderia ter a infecção.

“Você tem que confiar em você mesmo, no seu preservativo. Não se separe de maneira nenhuma do seu preservativo. Você vai para a cama com alguém? Qualquer tipo de sexo? Então, coloque preservativo. Não confie no seu parceiro, jamais. Porque a Aids, não tem como a gente identificar uma pessoa que tem HIV. A pessoa é normal. Não há nenhuma suspeita.”

A segurança do preservativo é tanta, que Eunice se casou de novo sem preocupação de transmitir o vírus para o companheiro. No entanto, o risco de esconder a infecção para alguém é alto. Como o primeiro marido escondeu dela, o tratamento só veio quando sintomas fortes a acometeram. Dores fortes no abdômen, febre e diarreia com sangue a levaram ao hospital no Pará, onde vivia. 

O diagnóstico só veio cinco meses depois, quando foi levada para Goiânia. Ainda assim, levou mais de dois anos para se recuperar totalmente. Milca Prado, da coordenação de IST e Aids de Goiás reforça a preocupação de Eunice com o uso do preservativo. O estado contou com 461 casos notificados de Aids apenas de janeiro a junho de 2019. E ela relaciona os números com dados que indicam a diminuição do uso de preservativos em Goiás.

 “A gente sabe que, aí as últimas pesquisas têm apontado, que a adesão ao uso do preservativo, principalmente pela nossa população jovem, tem diminuído ao longo dos anos. Tanto que o Ministério da Saúde está tentando trabalhar muito em cima dessa questão, do foco em cima do preservativo enquanto estratégia de prevenção. Principalmente voltada para essa população jovem, de 15 a 29 anos.”

Sem camisinha, você assume o risco. Use camisinha e se proteja dessas ISTs e de outras, como HIV e Hepatites. Para mais informações, acesse: saude.gov.br/ist.

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