
Voltar
LOC.: Desde 2001, a Universidade Federal de Santa Catarina já recebeu cerca de R$ 74 milhões do Fundo Setorial de Infraestrutura, o CT-Infra, destinado à melhoria das instituições públicas de pesquisa. Segundo a lei, a verba reservada para esse fim deve representar 20% do que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FNDCT) recebe de quatro fontes de recurso: a venda de combustíveis, dos royalties dos recursos minerais, do lucro das concessionárias de serviços públicos e dos contratos firmados pelas estatais. O dinheiro pode ser usado para comprar ou fazer a manutenção de equipamentos e construir ou reformar laboratórios. Dos 14 projetos da UFSC apoiados pelo FNDCT, quatro foram concluídos ano passado e receberam um total de R$ 6,8 milhões nos anos em que eram executados.
A verba do CT-Infra, que chegou a ser de R$ 325 milhões em 2013, tem diminuindo dramaticamente devido ao contingenciamento que tem sofrido o FNDCT. Em 2020, o valor destinado para o CT-Infra foi de R$ 70 milhões, uma redução de 78% em sete anos.
Segundo dados da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP br), entre 2004 e 2019 o FNDCT apoiou cerca de 11 mil projetos. Entre eles estão as pesquisas, por exemplo, que permitiram a descoberta e a exploração do Pré-Sal. O fundo também foi usado na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisas científicas no Polo Sul.
O físico Ildeu de Castro Moreira é presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade que faz parte da campanha pela Liberação Total dos Recursos do FNDC. Ele destaca a importância do fundo para o futuro do país.
TEC/SONORA: Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
“O passado do FNDCT garante sua importância. No presente, com esse momento de crise que estamos vivendo a liberação do FNDCT é essencial. E é importante para o futuro, para que a gente espere um país onde a ciência e tecnologia avancem e contribuam para a melhoria da economia, para o desenvolvimento sustentável e para a redução das desigualdades”
LOC.: Em uma tentativa de acabar com essas limitações, cientistas e empresários se uniram em apoio ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 135. Aprovada no Senado na última quinta-feira (13), a proposta proíbe que o FNDCT seja contingenciado. Além disso, transforma o fundo contábil em um fundo financeiro. Isso significa que o FNDCT vai poder, por exemplo, aplicar o dinheiro que tem em caixa e ser remunerado pelas aplicações.
Na sessão que aprovou a medida no Senado, o senador Jorginho Mello, do PL de Santa Catarina, ressaltou que a Associação Catarinense de Tecnologia fez um pedido pela liberação da verba.
TEC/SONORA: senador Jorginho Mello
“Eu recebi um apelo da ACATE, lá da Santa Catarina, para que a gente pudesse deliberar. Isso vai ajudar efetivamente em pesquisa e é muito importante na ciência e na inovação lá em Santa Catarina, na tecnologia e na inovação”
LOC.: Já o senador Esperidião Amin, que também representa Santa Catarina no Parlamento, pelo PP. lembrou que não são só as instituições públicas que vão se beneficiar de um descontingenciamento do FNDCT.
TEC/SONORA: senador Esperidião Amin
“Uma das portas para o futuro do Brasil se chama reindustrialização inteligente, ou seja, preencher os nossos clusters produtivos com inovação que nos torne efetivamente competitivos”
LOC.: Outro setor econômico que sofre com os cortes é o agronegócio. Na medida em que as verbas eram contingenciadas, o investimento do FNDCT por meio do Programa de Ciência e Tecnologia para o Agronegócio teve uma queda de R$ 70 milhões em dez anos. A verba que era de R$ 71 milhões em 2010 passou para menos de um milhão em 2019. O número representa uma queda de 98%, ou seja, os investimentos praticamente deixaram de existir.
Reportagem, Daniel Marques