Saúde - Saúde·30 de dezembro de 2023

Verão: estação mais quente exige cuidado para quem tem varizes

País registrou aumento de 30% nas queixas relacionadas ao problema durante os períodos mais quentes do ano, aponta SBACV

Por Lívia Azevedo
Ouvir · 00:02:03

Imagem não disponível

A imagem principal desta matéria não foi encontrada.

KIT DE REPUBLICAÇÃO
Ver kit completo
Nos siga noGoogle News
Seguir
Esta matéria é de livre reproduçãoVer licença
JORNAL DIGITAL PARA COMUNICADORES

O conteúdo que vai ao ar começa aqui.

Áudios, textos e roteiros produzidos todos os dias para rádios e mídias online regionais. Gratuito. Pronto para usar. Em todos os 27 estados. São 25 anos ao lado de quem comunica o Brasil.

Com a chegada do verão, os problemas relacionados às varizes se intensificam e as pessoas começam a perceber uma piora nos sintomas. As temperaturas mais elevadas podem se tornar vilãs para quem já sofre com a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), há um aumento de 30% nas queixas referentes a esse problema durante os períodos mais quentes do ano. A cada dia, pelo menos 145 mulheres são internadas para tratamento de varizes no Brasil.

A médica Cristienne Souza, angiologista especialista em cirurgia vascular e membro da SBACV, explica que a relação entre o calor e o agravamento dos sintomas está diretamente associada com a vasodilatação. Por isso, quem tem a doença ou tem predisposição deve ficar ainda mais atento nessa estação do ano.

“O calor promove a dilatação dos vasos sanguíneos e como as varizes são veias que já estão doentes e dilatadas, esse acréscimo na dilatação torna o fluxo ainda mais lentificado. Isso aumenta a pressão nas veias, contribuindo para o desconforto, o inchaço e a dor, que são características desta condição”, relata.

“Essa dilatação associada com a desidratação, que pode ocorrer nos períodos mais quentes do ano, resulta em aumento da viscosidade sanguínea, fluxo lento, má circulação, com dificuldade do retorno venoso nas pessoas que já sofrem com as varizes”, esclarece a médica

Entre 2013 e 2022, mais de 529 mil pessoas foram internadas para tratar as varizes. O cálculo aponta que a cada hora, em média, são realizadas seis cirurgias para tratamento do problema pela rede pública de saúde, conforme a SBACV. O levantamento foi feito a partir de informações disponíveis na base de dados do Ministério da Saúde. A pesquisa também revela que as mais atingidas são as mulheres. Na série histórica analisada, elas representam 76% dos 695 mil casos registrados.

Cuidados e orientações

A médica Cristienne Souza informa que algumas medidas preventivas durante os períodos de calor podem minimizar os sintomas.

“O impacto nas pessoas com varizes incluem a manutenção de uma boa hidratação para preservar a viscosidade sanguínea, evitar longos períodos em pé ou sentado, o uso de meias de compressão graduada para melhorar o retorno venoso, elevar as pernas pelo menos umas três vezes ao dia durante 30 minutos, fazer atividades físicas para ativar a bomba muscular da panturrilha”, ressalta.

Segundo a especialista, também é recomendável praticar caminhadas durante as primeiras horas da manhã ou no final da tarde, “quando as temperaturas estão mais amenas.” Outras recomendações incluem evitar alimentos com muito sal, industrializados ou ultraprocessados, uma vez que favorecem ainda mais a retenção de líquidos, completa a angiologista.

O aposentado Roberto Hernandez, de 70 anos, conta que, assim que foi alertado por um familiar ao chamar a atenção para o problema, ele foi logo procurar ajuda de um médico. “Eu tive que procurar correndo um angiologista, um médico para fazer a cirurgia, e depois de vários exames, chegou a conclusão que realmente estava precisando e muito fazer a cirurgia. Agora está bem melhor, graças a Deus”, comemora.

De acordo com a angiologista, após a redução na quantidade de cirurgias para varizes na rede pública durante a pandemia, houve uma melhora em 2022, mas não se conseguiu alcançar os números registrados antes da crise sanitária.

Internações no estados

De acordo com os dados levantados, até dezembro de 2022, as regiões Sudeste e Sul, tiveram maior expressão em números absolutos. A primeira é responsável por mais de 56% de todas as notificações, com um montante de 297.097 pessoas submetidas a tratamento de varizes. Já no Sul, 120.524 foram internadas no mesmo período. Na sequência, vem a região Nordeste, com 64.741 registros; o Centro-Oeste, com 29.240; e o Norte, com 18.096.  

Embora a idade não seja o principal fator de risco, mulheres acima dos 40 anos estão 78% mais suscetíveis ao aparecimento de varizes, segundo a SBACV. O levantamento revela que pacientes com idades entre 50 e 59 anos concentram 28% dos casos, já mulheres com idades entre 40 e 49 anos são responsáveis por outros 27% dos registros.

Conforme o Ministério da Saúde, as varizes são veias dilatadas e tortuosas que se desenvolvem abaixo da pele. As veias mais acometidas são as dos membros inferiores: nos pés, pernas e coxas. Algumas pessoas apresentam minúsculas ramificações, de coloração avermelhada. Estes casos costumam não apresentar sintomas e provocam apenas desconforto estético. A doença é causada, sobretudo, por questões hereditárias, mas o tratamento adequado pode reduzir os sintomas e evitar a progressão do problema para doenças mais complexas.

Áudio
0:00 / 0:00
Áudio
0:00 / 0:00
SOBRE

Lívia Azevedo

Ver todas as matérias
CONTINUE LENDO

Mais sobre Saúde

Ver editoria completa
Vacina22 de outubro de 2026

Anvisa aprova nova vacina contra 21 sorotipos de bactéria causadora de pneumonia e meningite

Imunizante Capvaxive é indicado para adultos a partir de 18 anos; ainda não há previsão de disponibilização no SUS

Saúde21 de outubro de 2026

Exame feito em clínica particular poderá valer no SUS; projeto aprovado na Câmara vai ao Senado

PL 1.123/2025 foi aprovado pelos deputados no último dia 15 e segue para o Senado; texto prevê que exames privados só sejam aceitos se seguirem validade e padrões de qualidade definidos pelo SUS

farmacêutica20 de outubro de 2026

Piso salarial dos farmacêuticos: CNM alerta para impacto de R$ 309 milhões por ano nos cofres municipais

Confederação Nacional de Municípios afirma que Projeto de Lei 1559/21 que fixa piso para categoria não apresenta fonte de custeio adequada para financiar medida; proposta foi aprovada pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

t-page