Conseguir um emprego logo após terminar o Ensino Médio é uma tarefa complicada para quem não tem uma qualificação. Joaquim Lago percebeu isso bem cedo, aos 19 anos. O jovem decidiu se inscrever para o curso de mecânico de automóveis no Serviço Nacional de Aprendizagem (SENAI) de Roraima para ter um currículo mais rico que de outros jovens da mesma idade.
O resultado foi superpositivo. Hoje, aos 24 anos, Joaquim trabalha como mecânico em uma concessionária de Boa Vista. “Se eu não tivesse esses cursos, seria muito mais difícil conseguir um emprego”, afirma ele.

Só em 2018, o SENAI realizou 10,3 mil matrículas nas duas unidades de formação e em uma unidade de capacitação de trabalhadores no estado. Esse é um tipo de trabalho realizado por instituições que fazem parte do Sistema S, ao lado do SESI e SESC, por exemplo.
Na avaliação do economista e especialista em educação, Cláudio de Moura e Castro, que já trabalhou na Organização Internacional do Trabalho, Banco Mundial e no Banco Interamericano de Desenvolvimento, o SENAI possui um diferencial em relação a outros países em desenvolvimento.
O especialista afirma que o nível de ensino e estrutura oferecida é de ponta. “Essas escolas estão praticamente no mesmo nível daquelas escolas que a gente admira nos países avançados”, ressalta.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o SENAI tem atualmente 587 unidades fixas e 457 móveis, das quais duas são barcos-escola que atuam na região Amazônica, levando educação profissional para moradores de comunidades com localização de difícil acesso. O SENAI dispõe ainda de 189 laboratórios de serviços. Presentes em 2.700 municípios, essas unidades oferecem cursos em todos os níveis da educação profissional e tecnológica.
No caso do SESI, a instituição conta com 501 escolas, 114 unidades de vida saudável e 553 unidades móveis, que oferecem educação básica, cursos de educação continuada e serviços de saúde em todo o país. Mantém, ainda, oito centros de inovação, que desenvolvem tecnologias para a segurança e saúde na indústria. Juntas, as duas instituições do Sistema S empregam quase 60 mil pessoas no país.
Reconhecido nacionalmente, o trabalho das instituições que fazem parte do Sistema tem sido defendido por parlamentares no Congresso Nacional. Isso porque, em muitos casos, os cursos do SESI e do SENAI são a única oportunidade que jovens de baixa renda têm de entrar no mercado de trabalho e terem alguma chance de progredir na vida.
Para o deputado federal Otaci Nascimento (SD-RR), o Sistema S tem sido um aliado no ensino e qualificação de milhões de brasileiros. “Precisamos saber o direcionamento do que o governo tem preparado para esses órgãos. Tendo em vista que são órgãos que compactuam com a sociedade e, principalmente, dão ênfase às pessoas que não têm a condição de fazer uma educação para o comércio, indústria e do transporte”, lembrou ele.
Educação básica
Além do SENAI, que qualifica profissionais para o mercado de trabalho na Indústria, o SESI é responsável pela educação de 1,1 milhão de jovens com educação básica, que inclui ensino fundamental e médio.
Nessas escolas, os alunos são incentivados a iniciarem pesquisas científicas e participarem de competições de robótica, inteligência e habilidades socioemocionais que ocorrem no mundo inteiro.
Além disso, na área de saúde e segurança no trabalho, o SESI reduz a sobrecarga sobre sistema público de saúde. Apenas em 2018, a instituição beneficiou 3,5 milhões de pessoas com ações e programas de saúde e segurança no trabalho e aplicou 989 mil vacinas em trabalhadores da indústria e seus familiares.