É verdade que quase sempre estamos mais atentos aos nossos filhos, principalmente quando o assunto é saúde. É o caso de uma artesã e moradora do Gama, que preferiu não se identificar. Se não fosse o aparecimento de bolhas na pele da neta, na época ainda com sete anos, não saberia que tanto ela, quanto a netinha, estavam com hanseníase. No caso da menina, a situação foi mais séria. Logo após o início da medicação, a doença avançou rapidamente e deformou a mão da criança. Juntas, elas descobriram a pior parte da doença: o preconceito.
“A minha filha tinha dado ela (neta) para o meu filho e a minha nora batizarem. Aí a menina foi crescendo e, quando apareceram umas feridinhas nos dedinhos da mão, parecendo uma bolhona grande que ia corroendo, sei lá, ela ficou com os dedos da mão em garra e foram encolhendo. Aí ele disse que não ia poder batizar porque a religião não permite, só por conta da doença da menina”.