O presidente Jair Bolsonaro sancionou nesta semana o projeto que prevê a inclusão automática de cidadãos considerados “bons pagadores” no Cadastro Positivo. A medida vale tanto para pessoas físicas quanto para empresas. O cadastro reúne informações sobre pagamentos em dia e empréstimos quitados e pode contribuir para a diminuição das taxas de juros, ao reduzir o risco para as instituições financeiras na hora de conceder o crédito.
Dados disponibilizados pela Serasa Experian revelam que o novo cadastro positivo vai beneficiar consumidores de todas as unidades da Federação. Só no Distrito Federal, por exemplo, 78,3% da população adulta poderá ter mais facilidade de conseguir crédito junto a instituições financeiras ou fazer compras a prazo.
A estimativa da Serasa Experian é que quase 1,8 milhão de pessoas sejam beneficiadas apenas no DF. Muitas delas, hoje sem acesso a crédito, poderão ser incluídas nesse mercado pelo simples fato de manterem em dia contas como de água, luz e telefone.
O diretor de Relações Governamentais da Serasa Experian, Julien Dutra, explica que a previsão para incluir o nome nessa relação já existe desde 2011, mas a burocracia no processo desestimulava os consumidores a aderirem ao cadastro.
Com a sanção, todos os consumidores passam a fazer parte dessa lista de bons pagadores automaticamente. No entanto, Julien afirma que a saída pode ser feita a qualquer momento, bastando apenas uma solicitação formal para isso.
Outra vantagem apontada pelo especialista é que as avaliações de crédito serão feitas com base nos dados que constam no Cadastro Positivo, ou seja, não mais na lista de devedores. “O negativo vai passar a ser o coadjuvante dessa história. Apenas uma fotografia bem pequena perto de um filme grande de uma boa história chamado Cadastro Positivo”, disse.
O estudo feito pela Serasa Experian aponta ainda que o sistema deve beneficiar cerca de 137 milhões de brasileiros - 88,5% da população adulta do país. O levantamento mostra ainda que pode haver redução de juros para 74% das pessoas com idade acima de 18 anos que atualmente possuem acesso ao crédito.
Estímulo à economia
Apoiadora da medida, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania/DF) afirma que o Cadastro Positivo vai estimular a economia. “Muitas pessoas não sabem que têm crédito no mercado. Então, isso vai trazer a possibilidade para que a gente possa vender mais e girar mais a economia”, garante ela.
A parlamentar disse ainda que a nova norma vai contribuir para a geração de emprego. “Nós vamos ter mais arrecadação de tributo para investir. Além disso, as empresas vão ter mais lucratividade e vão conseguir expandir seus negócios”, explica Belmonte.
Tramitação
Com origem no Senado Federal, o texto do novo Cadastro Positivo foi modificado na Câmara dos Deputados e precisou passar por nova análise dos senadores, concluída no mês passado.
O novo Cadastro Positivo passa a valer a partir de julho deste ano. Vale lembrar que, mesmo quem está com o nome negativado pode participar, ou seja, suas contas pagas em dias também poderão ser consideradas para fins de avaliação de crédito. Com isso, as empresas poderão ter condições de analisar seus históricos de pagamentos de uma forma mais completa e justa.
Dependendo da política financeira do seu banco, por exemplo, você pode conseguir, inclusive, taxas de juros melhores do que alguém que não tem o nome inscrito no Cadastro Positivo.