Economia - Economia·21 de julho de 2025

IFI: desempenho fiscal avança no semestre; cenário de 2026 preocupa

Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta na edição mais recente do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) que, apesar da melhora, cenário ainda exige cautela em função de riscos ligados à execução orçamentária e à arrecadação

Por Bianca Mingote
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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Segundo a edição mais recente do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da Instituição Fiscal Independente (IFI), os dados fiscais do primeiro semestre de 2025 mostram avanços em indicadores estruturais. Além disso, demonstram uma tendência de melhora das contas públicas. No entanto, o cenário para 2026 preocupa e ainda exige cautela relacionado aos riscos ligados à execução orçamentária e à arrecadação. 

O relatório aponta que o governo federal registrou déficit primário, ou seja, mais despesas do que receitas, no âmbito de R$ 8,7 bilhões no primeiro semestre deste ano – montante abaixo dos R$ 67,4 bilhões registrados no mesmo período de 2024.

No acumulado de 12 meses houve superávit, que significa que houve mais receitas do que despesas, na ordem de R$ 15,7 bilhões – 0,1% do PIB – com a reversão do déficit de R$ 253,9 bilhões – 2,2% do PIB – dos 12 meses anteriores.

A IFI alerta que esse desempenho favorável está ligado a fatores temporários – como a aprovação tardia do Orçamento de 2025, sancionado em abril. O fator influenciou a repressão à execução de despesas discricionárias, incluindo as emendas parlamentares.

Segundo informações da Agência Senado, a expectativa é de que o resultado fiscal piore com o avanço dessas despesas no segundo semestre de 2025, aliado à sua inclusão em restos a pagar para 2026.

Receita e desempenho da economia

A arrecadação primária líquida teve alta real de 3,1% no semestre. Ainda assim, a IFI ressalta a incerteza em relação às medidas do governo que visam aumentar a arrecadação, como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a tributação de fundos de investimentos via MP 1.303/2025. A efetivação dessas medidas depende da articulação com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O relatório aponta, ainda, que a economia brasileira continua a operar acima do nível potencial – o que ainda gera pressões sobre a inflação.

O resultado primário estrutural passou de -1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2024 para -0,5% no segundo trimestre de 2025. O resultado indica um recuo do impacto fiscal sobre a economia e reforça o efeito combinado de juros altos, menor estímulo do governo e desaceleração global, conforme a Agência Senado.

Com informações da Agência Senado

SOBRE

Bianca Mingote

Bianca Mingote é jornalista formada pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em cobertura do Congresso Nacional, saúde, economia e política. Atuou como repórter na Secom (UnB), no Correio Braziliense (CB) e na Rádio Senado. Também foi trainee do CB no Curso Jornalismo na Prática, com foco na cobertura de saúde do Brasil. É repórter do Brasil 61 desde 2024.

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