Foto: Arquivo/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Agência Brasil

Goiás: custo da energia elétrica vai impactar na inflação e “remédio” pode ser pior que a “doença”

A nova bandeira escassez hídrica da Aneel reajusta preço da conta de luz em 50%


Os consumidores de energia elétrica em Goiás vão gastar cerca de 50% a mais para não ficarem no escuro durante a vigência da nova bandeira tarifária estipulada pela Aneel, a de escassez hídrica. 

Isso porque a agência reajustou as tarifas na última semana, elevando o preço de R$ 9,4 por 100 kwh (quilowatt-hora) para R$ 14,2 kwh. De acordo com a Aneel, a nova bandeira vai valer até abril de 2022 e o reajuste médio aos consumidores goianos deve ser de 6,78%.

Em Goiás, os valores cobrados nas contas de energia elétrica, sem o acréscimo das bandeiras tarifárias, variam entre R$ 0,54 e R$ 0,60 por kwh (quilowatt-hora) consumidos. 

Goiás pode perder R$ 300 mi em arrecadação com reforma do IR

Edital do Leilão do 5G traz ajustes para reforçar investimento em educação nos municípios

Garimpo já ocupa mais área do que a mineração industrial

Além de “mordida” mais forte no bolso do consumidor, a nova taxa de energia elétrica vai impactar na meta inflacionária para 2021, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que tinha estimativa de variar entre 3,75% e 5,25% no início do ano. No entanto, o Banco Central já vislumbra uma taxa de inflação de 7,11% ao final do período. Em julho, antes dos novos reajustes na energia elétrica, o IPCA acumulava quase 9%, em 12 meses, e a tendência é que esse número continue em alta.

Nos estados da região Centro-Oeste do País, a tarifa média cobrada na energia elétrica, sem a bandeira escassez hídrica, é de R$ 0,59 por kwh consumido. 

“Remédio” 

A principal medida usada para frear a alta da inflação é o controle da taxa básica de juros da economia, a Selic, realizado pelo Banco Central. A dinâmica é simples: quando os preços ao consumidor disparam, o BC aumenta a taxa de juros e o dinheiro e o crédito ficam mais caros, a procura por produtos e serviços diminui e, por consequência, força a queda dos valores no comércio. Entretanto, essa “receita” é indicada quando a inflação dispara por forte consumo, ou seja, diferente da realidade atual. 

"Quando você dá um ‘remédio’, que seria o aumento da taxa de juros, para uma inflação que não tem origem no consumo, ela tem origem na oferta, você gera desaquecimento da economia. O crédito e os produtos ficam mais caros e você desestimula da economia”, explica Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração.

No entanto, o “remédio” tem contraindicações perversas sobre a produção industrial e na capacidade do setor produtivo realizar investimentos, já que a Selic também influencia nos valores dos créditos, desvaloriza a moeda brasileira e contribui para a falta de insumos e matérias-primas nas indústrias. O combo da política de contenção da inflação desestimula a atividade econômica. 

“Isso é um elemento que amplia a questão do desemprego, amplia o caráter recessivo e traz danos profundos para a economia”, disse Elias Vaz, deputado federal – PSB/GO. 

Este ano, a Selic teve quatro reajustes e já acumula alta de 3,25% a.a., saindo de 2% a.a., em janeiro, para 5,25% a.a., em agosto. O BC manteve o reajuste em 0,75% nos três primeiros movimentos do ano, em março, maio e junho, mas elevou a taxa em 1%, este mês. 

Continue Lendo



Receba nossos conteúdos em primeira mão.

LOC.: A “mordida” no bolso do consumidor de energia elétrica em Goiás vai ser 50% mais forte e o reajuste vai vigorar até abril do próximo ano. É que a Aneel criou uma nova bandeira tarifária, a de escassez hídrica, devido aos baixos níveis de água nos reservatórios responsáveis pela geração de energia elétrica no País.

O aumento no valor da conta de luz vai impactar de forma negativa os índices de inflação anual no Brasil, o IPCA, que eram estimados entre 3,75% e 5,25% no início do ano. No entanto, o Banco Central já vislumbra uma taxa de inflação de 7,11% ao final do período e o cenário de alta no custo de vida pode impulsionar a instituição a elevar ainda mais a taxa básica de juros, a Selic, este ano.

Entretanto, a metodologia de aumentar a Selic só vai contribuir para conter a inflação se a causa for diretamente ligada ao alto consumo da população, e essa não é a realidade atual, como explica Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração.

TEC./SONORA: Luiz Carlos Ongaratto, especialista em Economia e Administração

“Quando você dá um ‘remédio’, que seria o aumento da taxa de juros, para uma inflação que não tem origem no consumo, ela tem origem na oferta, você gera desaquecimento da economia. O crédito e os produtos ficam mais caros e você desestimula da economia”.

LOC.: O aumento nas taxas de juros para conter a inflação pode sacrificar a produção industrial dos estados e comprometer a capacidade do setor produtivo de realizar investimentos, já que a Selic também influencia nos valores dos créditos e contribui para a falta de insumos e matérias-primas nas indústrias. O combo da política de contenção da inflação desestimula a atividade econômica, como explica o deputado federal Elias Vaz, do PSB goiano.  

TEC./SONORA: Elias Vaz, deputado federal – PSB/GO
 

“Isso é um elemento que amplia a questão do desemprego, amplia o caráter recessivo e traz danos profundos para a economia”.  

LOC.:  Este ano, a Selic teve quatro reajustes e já acumula alta de 3,25% a.a., saindo de 2% a.a. em janeiro para 5,25% a.a. em agosto. O BC manteve o reajuste em 0,75% nos três primeiros movimentos do ano, em março, maio e junho, mas elevou a taxa em 1%, este mês.

Reportagem, Cristiano Ghorgomillos