Autoridades, especialistas e a população brasileira se preparam para possíveis impactos e disseminação da Covid-19 nas comunidades carentes. Em 2010, de acordo com dados do Censo, 11,5 milhões de pessoas viviam nas favelas de grandes cidades do país. São comunidades em que a aglomeração é praticamente inevitável.
A preocupação, neste momento, é como essas milhares de famílias vão seguir as recomendações sanitárias mais simples. Por exemplo, lavar as mãos com água e sabão com frequência e usar o álcool em gel. Além disso, boa parte dessas famílias dividem um espaço restrito dentro de casa, lembra a médica infectologista, Joana Darc Gonçalves da Silva.
“Às vezes, mora muita gente na mesma casa, no mesmo quarto, sem condições de manter distanciamento social ou isolamento adequado. As principais medidas de controle ficam prejudicadas. Nós temos receio de que o vírus possa produzir uma mortalidade elevada em favelas, em locais onde as pessoas não têm as mesmas possibilidades de cuidar da saúde”.
A médica Infectologista reforça a importância do diálogo com a população neste momento.
“Conversar com moradores das favelas, conversar com líderes comunitários, com pessoas que estão envolvidas na proteção social, é fundamental. A gente precisa conversar, entender a doença e tentar diminuir ao máximo os riscos de infecção nas comunidades carentes”.
Para aprimorar esse diálogo com as comunidades carentes, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, iniciou um projeto-piloto de manejo e combate do vírus nas comunidades, conhecidas popularmente como favelas. O ministro destaca o diálogo como a principal ferramenta de combate à Covid-19.
“É o primeiro plano de manejo e ainda não vou falar em que comunidade será, mas começamos a fazer um teste-piloto. Você tem que entender a cultura e a dinâmica. A gente tem que entender que há muitas áreas em que, muitas vezes, o Estado está ausente e quem manda é o tráfico e a milícia”.
Para mais informações, acesse saude.gov.br/coronavirus.