Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Gastos dos municípios com saúde superam em piso constitucional em 7,2% e sobrecarregam cofres locais

Relatório da Confederação Nacional de Municípios aponta que hospitalização e Atenção Primária concentram recursos municipais; entidade defende medidas que readequem modelo de financiamento do SUS para garantir participação equitativa entre União, Estados e municípios

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Os gastos dos municípios com a área da saúde superaram o piso constitucional em 7,2% em 2025, estabelecido pela Emenda Constitucional (EC) 29/2000 e fixado em 15%. O dado integra a segunda edição de um relatório da Confederação Nacional de Municípios (CNM), baseado em dados declarados ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops).

O estudo destaca um panorama do impacto da Média e Alta Complexidade (MAC) do Sistema Único de Saúde (SUS) e aponta que, em 2025, os municípios brasileiros aplicaram, em média, 22,2% da receita resultante de impostos e transferências constitucionais em ações e serviços públicos de saúde.

O levantamento aponta que a elevação nos gastos dos municípios com saúde gera sobrecarga orçamentária nas administrações locais. Na avaliação da CNM, a sobrecarga financeira às cidades relacionada à área da saúde tem sido um dos principais desafios para a gestão municipal. 

Em nota, o presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, disse que os desafios vão além dos problemas com recursos. “Além da pressão orçamentária, a gestão municipal enfrenta o desafio de novos modelos de remuneração por “pacotes” e a fragmentação do financiamento via programas federais, como o Programa Agora Tem Especialistas (Pate)”, destaca.

Comprometimento orçamentário

O relatório ainda indica que 1.448 municípios reportaram aplicação superior a 25% de suas receitas próprias em saúde, ou seja, mais de 10 pontos percentuais acima do piso obrigatório. Conforme o estudo, dessas cidades, 445 aplicaram valores equivalentes ou superiores ao dobro do valor constitucionalmente obrigatório. 

Confira os maiores percentuais médios de aplicação de recursos em saúde observados por UF:

  • São Paulo: 25,1%;
  • Ceará: 24,8% e 
  • Rio de Janeiro: 24,6%. 

“Esses dados evidenciam um padrão de elevado comprometimento orçamentário dos entes municipais, com potenciais repercussões sobre a sustentabilidade fiscal local”, diz um trecho da publicação da CNM.

Segundo a entidade, a ampliação contínua da aplicação municipal em saúde demonstra que os governos locais têm assumido uma parcela crescente no financiamento do SUS, mesmo em um cenário de restrições fiscais e aumento da demanda por serviços públicos. 

Os dados declarados ao Siops indicam que 99,6% dos 5.560 municípios que prestaram informações ao sistema em  2025 cumpriram o limite mínimo constitucional de aplicação em ações e serviços públicos de saúde.

Principais despesas

A principal despesa municipal em saúde foi com Assistência Hospitalar e Ambulatorial. A participação no total dos gastos foi de 43,5% em 2020 para 45,8% em 2025, alcançando R$ 155 bilhões. 

Em seguida aparece a Atenção Primária à Saúde (APS), que aumentou de 34,6% para 36,2% no período e totalizou R$ 122 bilhões em 2025.

De acordo com o levantamento, de cada R$ 100 aplicados em saúde, cerca de R$ 82 foram destinados à Assistência Hospitalar ou à APS.

A CNM defendeu, em nota, medidas que readequem o modelo de financiamento do SUS.

“É imprescindível o desenvolvimento de medidas estruturantes que promovam a recomposição e readequação do modelo de financiamento do SUS, garantindo uma participação mais equitativa entre a União, os estados e os municípios”, destacou Ziulkoski, em nota.


 

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LOC.: Os municípios brasileiros gastaram, em média, 22,2% das receitas próprias em saúde em 2025. O percentual é 7,2 pontos acima do piso constitucional, que é de 15%.

Os dados são de um relatório da Confederação Nacional de Municípios, a CNM, com informações declaradas ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde, o Siops.

Segundo o levantamento, MIL QUATROCENTOS E QUARENTA E OITO municípios aplicaram mais de 25% das receitas próprias em saúde. Desses, QUATROCENTOS E QUARENTA E CINCO investiram o equivalente ou mais que o dobro do mínimo exigido pela Constituição.

As maiores médias de aplicação foram registradas em São Paulo, com 25,1%; Ceará, com 24,8%; e Rio de Janeiro, com 24,6%.

A principal despesa dos municípios foi com assistência hospitalar e ambulatorial, que consumiu 45,8% dos recursos aplicados em saúde em 2025, o equivalente a CENTO E CINQUENTA E CINCO BILHÕES DE REAIS.

Já a Atenção Primária à Saúde respondeu por 36,2% dos gastos, ou CENTO E VINTE E DOIS BILHÕES DE REAIS. Juntos, os dois setores concentraram cerca de OITENTA E DOIS REAIS de cada 100 investidos pelos municípios na área.

Para a CNM, o aumento da participação dos municípios no financiamento do SUS tem provocado pressão sobre os cofres locais. A entidade defende uma revisão do modelo de financiamento para garantir uma divisão mais equilibrada dos custos entre União, estados e municípios.

O relatório completo pode ser acessado em cnm.org.br ou em Brasil61.com.

Com informações da Agência CNM de Notícias, Bianca Mingote