Tempo - Região Sul·18 de agosto de 2020

Frente fria em agosto deve trazer neve a região Sul

Para especialistas, ainda é cedo para prever onde e qual a intensidade da neve; modelos de previsão oscilam bastante. No entanto, uma massa de ar com essa força não se via desde 2013

Por Felipe Moura
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Agência Brasil

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“Agosto mudou completamente, da água para o vinho”. É assim que Fábio Luengo, meteorologista do Somar, define a inesperada variação nas condições climáticas do Brasil. E não é para menos. Depois de uma quinzena muito seca, uma massa de ar polar intensa avança pelo país nesta semana, provocando muito frio e até neve em várias cidades da região Sul, por exemplo. Já a partir desta quarta-feira (19), a temperatura começa a cair bruscamente, de acordo com institutos de meteorologia. 

As previsões apontam que as regiões das serras gaúcha e catarinense devem registrar até três graus abaixo de zero. Já no sul de Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, os termômetros podem devem marcar 3º positivos, o que é incomum para este mês. A frente fria é tão intensa, que pode provocar o fenômeno conhecido como friagem, atingindo o Acre e Rondônia, onde as temperaturas podem bater os 12º. 

“A partir de quarta-feira vem muito frio em grande parte do Brasil. Primeiramente, a região Sul, em seguida o sul de MS e parte de São Paulo e já ali pra sexta, fim de semana, se estende para outras áreas do Centro-Oeste, do Sudeste e até mesmo o sul da Região Norte”, afirma Fábio Luengo, meteorologista do Somar. 

Neve

Para especialistas, não se via um frio intenso assim há sete anos, quando nevou em vários municípios do sul do país. “É bem diferente. O que chama a atenção é esse frio em agosto. O último frio intenso, foi em julho de 2013, que muitas cidades da região Sul tiveram registro de neve e, até mesmo, em Curitiba”, diz Fábio.

Por enquanto, os modelos que tentam prever a ocorrência da neve oscilam bastante. Há previsões que são “muito exageradas”, tanto na abrangência do fenômeno, quanto na intensidade. Fábio explica que para que haja neve é preciso de frio e umidade. O primeiro ingrediente da fórmula está garantido com a massa de ar polar. No entanto, ainda existem dúvidas se haverá umidade suficiente para provocar neve, onde e quando. 

De antemão, o Somar aponta para maior probabilidade de neve nas áreas mais altas da região Sul do país, como em Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, parte do planalto catarinense e do Paraná. Ainda não há previsão do fenômeno para alguma capital. Contudo, as condições podem mudar nos próximos dias, segundo o meteorologista. 

“Nas regiões mais altas, como Cambará do Sul, São Francisco de Paula, São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul e Urubici, Bom Jardim da Serra, Urupema e São Joaquim, em Santa Catarina, pode acontecer já na quinta à noite. Mas na sexta é que há previsão de uma neve mais generalizada”, exemplifica. 

Há análises que apontam para a possibilidade de a neve bater os 10 cm. Outros falam em até 35 cm, diz Fábio. Para ele, há muito exagero, o que é comum para o momento. “São pequenos flocos de neve, que não dá para fazer um bonequinho direito. Por isso estamos tomando cuidado, colocando o pé no chão”, pondera. Mais comum para os moradores da região Sul do país, a geada deve ocorrer, basicamente, na metade sul do Rio Grande do Sul, favorecida pela ausência de nuvens. 

Cuidados

Para Fábio, as pessoas que já têm problemas respiratórios devem redobrar a atenção com a mudança brusca nas temperaturas. Isso porque além do forte frio, há previsão de ventanias. “Quem tiver na rua pode sentir um frio ainda maior e ficar mais propício a ter algum tipo de doença respiratória”, diz. 

Já o setor da agropecuária pode ficar mais descansado. Ao menos, por enquanto. Ele explica que muitas lavouras na região Sul, por exemplo, já foram colhidas e não estariam na fase de desenvolvimento, que é mais vulnerável às geadas e outros fenômenos. 

Cronograma

A previsão atual é de que a terça-feira (18) seja de temporais em Santa Catarina, no Paraná e no sul de Mato Grosso do Sul. Já em parte de Minas Gerais, São Paulo e no Rio de Janeiro, o tempo fica fechado com chuvas mais leves ao longo do dia. Na quarta (19), o frio começa a ganhar força no Rio Grande do Sul. No dia seguinte, é que a massa de ar fria será percebida nas demais regiões brasileiras.  

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SOBRE

Felipe Moura

Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), desde 2020 é repórter do Brasil 61. Durante a graduação, cobriu Política e Economia pelo jornal O Globo, além de Educação e Carreira pelo Correio Braziliense.

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