Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Dívidas rurais: Senado aprova crédito de até R$ 10 milhões para produtores

Matéria é votada à revelia do governo, que estima impacto de R$ 180 milhões, e retorna para análise da Câmara dos Deputados

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Os senadores aprovaram, na quarta-feira (10), o PL 5.122/2023, que cria uma linha especial de crédito para renegociação de dívidas de produtores rurais. A proposta será financiada com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais do Norte e do Nordeste.

Como o texto foi alterado em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados, a matéria retornará para análise dos deputados.

Os financiamentos serão limitados a R$ 10 milhões por produtor rural e a R$ 50 milhões para associações, cooperativas de produção e condomínios rurais. Para acessar o benefício, os solicitantes deverão comprovar perdas de pelo menos 30% da renda bruta esperada em duas ou mais safras desde 2019, em decorrência de eventos climáticos ou impactos econômicos, como conflitos geopolíticos internacionais.

A medida abrange operações de crédito rural, empréstimos destinados à liquidação de dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs) contratadas até 31 de dezembro de 2025. O prazo de pagamento será de até 10 anos, com carência de três anos.

Os juros são diferenciados de acordo com o perfil do produtor:

  • 3,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e demais pequenos produtores;
  • 5,5% ao ano para inscritos no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais médios produtores;
  • 7,5% ao ano para os demais.

Os recursos poderão ser operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e por outros bancos e cooperativas de crédito.

Impasse

Durante semanas, o relator da proposta, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, buscaram um acordo sobre o texto. Sem consenso, o parecer foi levado à votação com resistência da base governista, que questiona o impacto fiscal da medida.

A equipe econômica estima que o volume de dívidas potencialmente enquadradas na proposta possa chegar a R$ 1,4 trilhão, com impacto fiscal de até R$ 140 bilhões em 13 anos. Parlamentares favoráveis ao projeto calculam custos de até R$ 100 bilhões ao longo de dez anos e afirmam que a medida permitirá renegociar até R$ 180 bilhões em débitos do setor agropecuário.

Outro ponto de divergência é a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O fundo é abastecido por receitas da exploração de petróleo e financia programas nas áreas de educação, saúde, meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas.

Segundo Renan Calheiros, a proposta não comprometerá os repasses destinados a essas áreas.

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LOC.: O Senado aprovou um projeto que cria uma linha especial de crédito para renegociar dívidas de produtores rurais.

A proposta será financiada com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e dos fundos constitucionais do Norte e do Nordeste.

Os financiamentos poderão chegar a DEZ MILHÕES DE REAIS por produtor rural e a CINQUENTA MILHÕES DE REAIS para associações, cooperativas e condomínios rurais.

Para ter acesso ao benefício, será necessário comprovar perdas de pelo menos TRINTA POR CENTO da renda esperada em duas ou mais safras desde 2019. As perdas podem ter sido causadas por eventos climáticos ou impactos econômicos, como conflitos internacionais.

A medida contempla operações de crédito rural, empréstimos para liquidação de dívidas e Cédulas de Produto Rural contratadas até 31 de dezembro de 2025.

O prazo para pagamento será de até dez anos, com três anos de carência.

As taxas de juros variam de TRÊS E MEIO a SETE E MEIO POR CENTO ao ano, conforme o perfil do produtor.

Os recursos poderão ser operados pelo BNDES, além de bancos e cooperativas de crédito.

A proposta enfrenta questionamentos sobre o impacto fiscal. A equipe econômica estima um custo de até CENTO E QUARENTA BILHÕES DE REAIS em TREZE anos.

Parlamentares que apoiam o projeto calculam um custo menor, de até CEM BILHÕES bilhões em DEZ anos, e afirmam que a medida pode viabilizar a renegociação de até CENTO E OITENTA BILHÕES em dívidas do setor.

Também há divergências sobre o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, que financia programas nas áreas de educação, saúde e meio ambiente.

Como o texto foi alterado pelos senadores, ele ainda precisará passar por nova análise da Câmara dos Deputados.

Reportagem, Álvaro Couto.