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LOC.: Na última quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, atingindo 14,75% ao ano. Apesar da redução, a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, avalia que a medida ainda é insuficiente para reverter a desaceleração da atividade econômica.
Segundo a entidade, o nível atual dos juros segue muito elevado para destravar investimentos e aliviar o endividamento das famílias, efeitos associados a uma política monetária excessivamente restritiva.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o atual cenário inflacionário já permitiria uma redução mais intensa dos juros.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“Se nós estivéssemos trabalhando hoje, como eu entendo que deveria ser, [com uma taxa de juros] a níveis de 9% e 10%, seriam juros razoáveis para a realidade da condição da inflação do Brasil. Nós poderíamos até entender que não houvesse nenhuma redução da taxa de juros. Mas nós estamos em 15%.”
LOC.: A inflação segue controlada e em convergência para o centro da meta. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, acumulado em 12 meses até fevereiro, recuou para 3,81%, ante os 4,44% no mês anterior.
Mesmo com a inflação sob controle, Alban demonstra preocupação com o risco de estagflação — cenário caracterizado pela combinação de inflação persistente, baixo crescimento do PIB e aumento do desemprego.
TEC./SONORA: Ricardo Alban, presidente da CNI
“Nós estamos caminhando, bem como os Estados Unidos já se preocupam hoje, para a chamada estagflação. Será que não podemos ter uma estagflação muito mais séria, com a inibição que é a taxa de juros hoje para nossa economia e para capacidade de oferta? Então, uma redução de 0,25 jamais pode ser comemorado.”
LOC.: Diante desse cenário, Alban defende que o Banco Central acelere o ritmo de cortes da Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril. Segundo ele, uma redução mais significativa é necessária para viabilizar melhores condições de investimento, reduzir o endividamento das famílias e impulsionar o crescimento econômico.
Reportagem, Paloma Custódio