Indústria 4.0 - Foto: Arquivo/CNI
Indústria 4.0 - Foto: Arquivo/CNI

Competitividade brasileira depende de capacitação para indústria 4.0, diz superintendente da CNI

De acordo com a Confederação, entre empresas que possuem até três tecnologias integradas à indústria 4.0, 54% já registram, até o momento, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia


Necessidade de inovação e qualificação profissional estão entre os principais pontos discutidos no Grupo de Estudos Retomada Econômica e Geração de Emprego e Renda no Pós-pandemia. A audiência pública foi realizada nesta terça-feira (9), na Câmara dos Deputados, para tratar da indústria 4.0, das transformações na economia global e do desenvolvimento econômico. 

A deputada federal Angela Amin (PP-SC), acredita que a indústria 4.0 renderá avanços econômicos ao Brasil. No entanto, o país ainda precisa preparar os trabalhadores. “Se nós não tivermos os profissionais habilitados, nós vamos perder competitividade e, automaticamente, valores necessários para esse novo momento da economia”, disse. 

Um estudo elaborado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), por exemplo, revela que 77% das empresas do setor estão com dificuldade para contratar mão de obra. 

O professor do Instituto de Economia da UFRJ, João Carlos Ferraz, avalia que um dos problemas relacionados à baixa adesão das empresas à indústria 4.0 está ligada à falta de conhecimento sobre o assunto. Além disso, ele destaca que, como esse processo é novo para todos, há uma chance de empresas menores ganharem mais espaço no mercado, caso adotem essas tecnologias. 

“Podemos pensar que, como o futuro é aberto, é possível desenhar um processo de inclusão digital, no qual as empresas com menos conhecimento, de menor porte, menor capacitação, por exemplo, são preparadas para avançar e crescer mais fortemente do que as empresas mais preparadas. Portanto, temos um cenário no qual o campo de jogo estaria mais nivelado”, projeta.

O PIB brasileiro não cresce porque não há investimento em inovação e processos de digitalização, segundo o superintendente de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, 

“Sem uma indústria forte, dificilmente vamos conseguir ter um crescimento do PIB acima de 2%, que é o necessário para o Brasil se aproximar dos países desenvolvidos. A empresa vai inovar se ela achar que ser mais produtiva vai torná-la mais competitiva. Ela pode ser mais produtiva, mas devido ao alto custo transporte, alto custo energia e ao resíduo tributário, não ser mais competitiva. Então, ela não faz esse investimento em inovação.”

Varginha (MG) poderá financiar até R$ 1,1 milhão para obras de qualificação urbana

Até 2025, 400 cidades vão ter pontos de coleta de lixo eletrônico

Fonseca pontuou que essa adaptação também precisa de uma educação básica voltada ao mercado de trabalho. “É importantíssimo que a gente faça funcionar o Novo Ensino Médio, no qual parte dos alunos pode optar por uma vertente de educação profissional durante sua formação. No Brasil, hoje, isso corresponde a 9% dos alunos. A média da União Europeia é 48%, e tem países que chegam a 70%. Isso não impede que o aluno que fez o curso na educação profissional vá para a Universidade”, destaca. 

Exemplos de tecnologias utilizadas na indústria 4.0: 

A Indústria 4.0 também é conhecida como a quarta revolução industrial. 

  • Inteligência artificial: trata-se da aplicação de análise avançada e técnicas que levam em conta o processo lógico, incluindo aprendizado de máquina, para interpretar eventos, analisar tendências e comportamentos de sistemas, entre outros.
  • Computação em nuvem: corresponde à distribuição de serviços de computação, como servidores, armazenamento e bancos de dados pela Internet, com utilização de memória, capacidade de armazenamento e cálculo de computadores, por exemplo.  
  • Big data: é tida como uma abordagem para atuar em dados com maior variedade e complexidade, que chegam em volumes crescentes e com velocidade cada vez maior, usados para resolver problemas de negócios. 
  • Internet das coisas: é a interconexão entre objetos por meio de infraestrutura habilitadora (eletrônica, software, sensores e/ou atuadores). Essa tecnologia conta com computação distribuída e organizados em redes. Isso permite a comunicação e interação automáticas. 
  • Sistemas de simulação: é apresentada como a utilização de computadores e conjunto de técnicas que geram modelos digitais utilizados para descrevem ou exibem a interação complexa entre várias variáveis dentro de um sistema, imitando processos do mundo real.

Apesar de ser vista por executivos como aumento de custo ou um item de baixa prioridade, a indústria 4.0 tem capacidade de aumentar lucratividade e propor maior adaptação do negócio em um cenário de crise, como é o caso da pandemia da Covid-19.

De acordo com pesquisa da CNI, entre empresas que possuem até três tecnologias integradas aos processos, 54% já registram, até o momento, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia. Já entre os negócios que ainda não se adequaram à modernidade, o índice cai para 47%. 

Por outro lado, a lucratividade já aumenta em 29% entre as companhias industriais que adotaram quatro ou mais tecnologias. Esse percentual fica próximo aos 28% percebidos entre quem adotou entre uma e três tecnologias e acima dos 25% entre as empresas que não adotaram nenhum recurso previsto na chamada indústria 4.0.
 

Continue Lendo



Receba nossos conteúdos em primeira mão.

LOC.: A necessidade de inovação e qualificação profissional foi apontada como prioritária para o desenvolvimento da Indústria 4.0 em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9). Considerada a quarta revolução industrial, a indústria 4.0 vai render avanços econômicos ao Brasil, de acordo com a deputada federal Angela Amin (PP-SC). Mas o país ainda precisa preparar tecnicamente os trabalhadores.

TEC./SONORA: Angela Amin, deputada federal (PP-SC)

“Se nós não tivermos os profissionais habilitados, nós vamos perder competitividade e, automaticamente, valores necessários para esse novo momento da economia.” 
 

LOC.: O crescimento do PIB brasileiro depende dos avanços econômicos industriais na avaliação do superintendente de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. 

TEC./SONORA: Renato da Fonseca, Superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI

“Sem uma indústria forte, dificilmente vamos conseguir ter um crescimento do PIB acima de 2%, que é o necessário para o Brasil se aproximar dos países desenvolvidos. A empresa vai inovar se ela achar que ser mais produtiva vai torna-la mais competitiva. Ela pode ser mais produtiva, mas devido ao alto custo transporte, alto custo energia e ao resíduo tributário, não ser mais competitiva. Então, ela não faz esse investimento em inovação.”
 

LOC.: De acordo com pesquisa da CNI, entre empresas que possuem até três tecnologias integradas à indústria 4.0, 54% já registram, até o momento, um lucro igual ou maior que o período pré-pandemia. Já entre os negócios que ainda não se adequaram à modernidade, o índice cai para 47%. 

Reportagem, Marquezan Araújo