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LOC.: A Confederação Nacional da Indústria, a CNI, lidera, nesta quarta e quinta-feira, uma missão empresarial a Washington, com o objetivo de abrir canais de diálogo e contribuir com as negociações para reverter ou reduzir o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A comitiva reúne cerca de 130 empresários, dirigentes de federações estaduais e representantes de associações industriais.
A agenda inclui reuniões no Capitólio, encontros bilaterais com instituições parceiras, plenária com representantes do setor público e privado dos dois países e audiência pública, no âmbito da investigação aberta pelo governo americano contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio. O processo avalia práticas comerciais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, tarifas preferenciais, etanol e questões ambientais.
Mesmo com a pressão gerada pelo cenário político, o presidente da CNI, Ricardo Alban, busca equilíbrio para o Brasil não perder a razão nas negociações.
TEC./SONORA: Presidente da CNI, Ricardo Alban.
“Estamos trabalhando de forma profissional, eminentemente de forma particular, privada e empresarial. Nesse momento, é muito delicado que nós possamos ter qualquer vontade ou qualquer determinação de aplicar a lei da reciprocidade. Temos momentos tensos, na geopolítica, mas o que nós queremos mesmo é que não seja precipitada nenhuma decisão em que possamos ter essa tratativa e a busca do bom senso.”
LOC.: Entre os setores mais afetados pelo tarifaço e que estarão representados na missão estão máquinas e equipamentos, madeira, café, cerâmica, alumínio, carnes e couro. Grandes empresas como Embraer, Stefanini, Novelis, Siemens Energy e Tupy também integram a comitiva, além de federações estaduais da indústria.
Estudos da CNI alertam que as tarifas adicionais podem gerar um impacto negativo de até VINTE BILHÕES DE REAIS no PIB brasileiro e a perda de TRINTA MIL empregos. Atualmente, 77,8% da pauta exportadora brasileira para os EUA enfrentam sobretaxas.
Para mitigar os efeitos da crise no Brasil, a CNI também entregou ao governo federal um conjunto de propostas que inclui linhas de crédito subsidiadas, postergação de tributos e medidas trabalhistas para preservação de empregos.
Reportagem, Deborah Souza.