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LOC.: Entidades do setor produtivo pedem que o Congresso Nacional adie para 2027 as discussões sobre o fim da escala 6x1. A solicitação foi entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em manifesto assinado por mais de mil e duzentas federações e associações comerciais ligadas à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB.
O documento defende um debate mais amplo sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Segundo o setor, a proposta precisa ser discutida com empresários, trabalhadores e governo.
Na última quarta-feira (27), a Câmara aprovou a proposta que prevê a redução da jornada semanal de quarenta e quatro para quarenta horas, sem redução salarial. Agora, o texto segue para análise do Senado Federal.
O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, defendeu o adiamento da discussão para depois das eleições de 2026.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB
“O posicionamento do setor produtivo, das micro e pequenas empresas, é para que a discussão do fim da jornada 6x1 seja adiada para após as eleições dando tempo para que empresas, governo e trabalhadores possam sentar, discutir e encontrar o melhor caminho e o melhor modelo para a jornada de trabalho aqui no Brasil.”
LOC.: No manifesto, as entidades afirmam reconhecer a importância de melhorar as relações de trabalho e ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores. No entanto, alertam que mudanças rápidas podem afetar principalmente micro e pequenas empresas, que representam mais de 90% dos negócios do país.
Entre os pontos defendidos pelo setor produtivo estão uma transição gradual de pelo menos dez anos, fortalecimento das negociações coletivas e compensações fiscais e trabalhistas para reduzir impactos econômicos.
Os empresários também afirmam que mudanças abruptas podem elevar custos operacionais, aumentar preços ao consumidor e reduzir postos formais de trabalho.
A presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu), Lídia Prata, avaliou que a proposta pode dificultar ainda mais o cenário econômico e produtivo do país
TEC./SONORA: Lídia Prata, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (Aciu)
“É uma pena que a gente tenha que chegar nesse ponto, quando todo país precisa de aumentar a sua produtividade, a produção, precisa fortalecer os negócios e nós estamos enfrentando também uma escassez enorme de mão-de-obra. Vai ser muito complicado adaptar com esse sistema, caso ele venha a ser realmente aprovado.”
LOC.: Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, Leonardo Puppi, salientou que a redução da jornada pode comprometer a competitividade da indústria brasileira.
TEC./SONORA: Leonardo Puppi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa
“O Brasil certamente ficará menos competitivo em relação ao produto oriundo de outros países, como a China, por exemplo. Isso retira a produtividade do Brasil como um todo, e para que fosse possível fazer de fato essa redução na jornada de trabalho, seria necessário aumentar a produtividade no mínimo, na mesma proporção. A redução semanal de quatro horas de trabalho acaba incrementando 10% nos custos ligados à mão de obra.”
LOC.: A proposta aprovada na Câmara prevê período de transição de quatorze meses para implementação das novas regras.
Pela redação atual, após dois meses da publicação da futura emenda constitucional, os dois dias de descanso remunerado por semana já deverão valer.
Reportagem, Bianca Mingote