As pessoas nunca esperam que sejam acometidas por algum mal, mas doenças não escolhem a quem vão infectar. Até mesmo profissionais da saúde experientes podem ficar doentes. Foi o que a servidora da Secretaria da Saúde de Pernambuco Rivania Tavares, de 37 anos, descobriu em 2008. Ela foi diagnosticada com hanseníase em uma Unidade Básica de Saúde, depois de passar por vários médicos que sabiam que ela tinha uma infecção, mas não souberam identificar a doença. Por isso, quando finalmente teve o diagnóstico de hanseníase, Rivania já estava em um estágio bem avançado da enfermidade.
“Algumas coisas que estavam em mudança, tipo a minha orelha, onde começou a surgir alguns nódulos e eu não sabia o que era. Eu já tinha mais de 12 lesões no corpo, em partes que eu não sentia. Uma das partes era o pé, a orelha, os cotovelos, além de outras partes que o médico foi detectando. Foi descoberto em julho de 2008. No dia 23 de julho de 2008, eu comecei a fazer o tratamento da hanseníase. São medicamentos que vão agir em você e talvez você tenha reação ou não. No meu caso, eu tive reações e tive que ser afastada por um tempo do trabalho”.
Entre as reações aos medicamentos do tratamento, Rivania teve novos nódulos que apareceram pelo corpo, além de inchaço e escurecimento da pele. Apesar disso, por trabalhar no ramo da saúde, ela se preocupou em tomar os remédios adequadamente até a cura, que veio em 12 meses. A servidora sabia que podia ter a imunidade comprometida e pegar outras doenças, caso não fosse disciplinada. Além disso, o cuidado com a infecção é importante também para impedir que ela seja transmitida para outras pessoas, já que, com alguns dias do início do tratamento, o paciente já não transmite mais a doença. A coordenadora do Programa Estadual de Hanseníase de Pernambuco, Monique Lira, explica como ocorre o contágio.
“A hanseníase é transmitida de pessoa para pessoa através das vias aéreas superiores, com pessoas com convívio. Tem que ser um convívio próximo e prolongado da pessoa doente sem tratamento para a outra. Para os contatos do paciente, se faz a vacina BCG, mas que é indicada só para os contatos sadios sem sinais e sintomas da doença. Não confere totalmente imunidade à doença. Também a avaliação dos contactantes que moram e trabalham com esse paciente é importante para a gente conseguir quebrar a cadeia de transmissão. Quanto antes a gente identificar pessoas com sintomas precocemente, mais rápida será a a quebra da cadeia de transmissão da doença.”
De acordo com a coordenadora do Programa Estadual de Hanseníase de Pernambuco, essa preocupação em conter a transmissão é uma das prioridades em Pernambuco, por meio da investigação dos contatos. Em 2017, o estado diagnosticou 2.410 casos novos. Desse total, 196 foram em crianças, o que indica convívio com adultos não diagnosticados e sem tratamento. Segundo Monique Lira, a maior quantidade de casos ocorre no Recife, por conta da maior concentração populacional. Por isso, o importante, mesmo, é ficar atento aos sinais do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha que tenha a perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, ao calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Então, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações, acesse saude.gov.br/hanseniase.