Saúde - Saúde·04 de agosto de 2024

Avanço da febre oropouche preocupa autoridades de Saúde

Na última sexta-feira (2), Ministério da Saúde confirmou primeira morte de feto por transmissão vertical, da mãe para o filho

Por Felipe Moura
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Ainda desconhecida por boa parte da população, a febre oropouche se espalha pelo Brasil e preocupa cada vez mais as autoridades de saúde. 

Após o país registrar as duas primeiras mortes de adultos pela doença, há cerca de duas semanas, o Ministério da Saúde confirmou, na última sexta-feira (2), o primeiro óbito fetal causado por transmissão vertical — da mãe para o filho — da arbovirose. O caso ocorreu em Pernambuco. A mulher tem 28 anos de idade e estava na 30ª semana de gestação. 

Até 28 de julho, o Brasil havia registrado 7.286 casos de oropouche, em 21 estados. Além das três mortes confirmadas, outras cinco estão em investigação: quatro fetos e um adulto. Antes restrita à região amazônica, a doença tem avançado pelo país, o que levanta o sinal de alerta, explica o médico infectologista Victor Porto. 

"É algo que preocupa. A gente tem pouco conhecimento da doença em larga escala, porque tínhamos poucos casos relatados na região amazônica, e esse ano a gente viu um crescimento muito grande em todo o país. Ainda é um pouco imprevisível, mas a gente tem que monitorar e ficar alerta, particularmente pessoas que moram em locais com alta infestação do maruim, ou viajantes para essas localidades", orienta. 

O que é febre oropouche

O vírus que causa a oropouche é transmitido, principalmente, por um mosquito conhecido como maruim ou mosquito pólvora. Também há casos de transmissão da doença por pernilongos, embora sejam mais raros.  

A oropouche faz parte de um rol de doenças classificadas como arboviroses, como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela. Até por isso, os sintomas da oropouche se confundem com o dessas outras enfermidades: febre repentina, dor de cabeça intensa, dor muscular, dor articular, tontura, dor retro-ocular, náusea, diarreia, entre outros.

Por conta dessa semelhança entre as doenças, Victor Porto diz que a melhor forma de detecção da oropouche é por meio de exame laboratorial do tipo PCR, que é capaz de identificar o material genético do vírus.  

"Não tem como a gente fazer o diagnóstico apenas clínico. As manifestações clínicas são muito semelhantes à dengue, por exemplo, ou outras síndromes febris agudas. O diagnóstico precisa da realização do exame, principalmente em pacientes que têm sintomas característicos de dengue, mas que testaram negativo para essa doença, ou em pessoas que viajaram para locais onde a gente sabe que está tendo transmissão", afirma. 

Prevenção

O Ministério da Saúde recomenda, como medidas de proteção para evitar ou diminuir a exposição às picadas dos insetos, o uso de roupas compridas, sapatos fechados e repelentes nas partes expostas do corpo, em especial nas primeiras horas da manhã e ao fim da tarde. 

A limpeza de terrenos e de locais de criação de animais, o recolhimento de frutas e frutos que caem no chão, o uso de telas de malha fina em portas e janelas também são medidas de combate ao maruim. 

Ministério da Saúde confirma primeiras mortes por febre oropouche no Brasil

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SOBRE

Felipe Moura

Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), desde 2020 é repórter do Brasil 61. Durante a graduação, cobriu Política e Economia pelo jornal O Globo, além de Educação e Carreira pelo Correio Braziliense.

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