Saúde - undefined·04 de agosto de 2023

4 em cada 10 brasileiros têm colesterol alto; 8 de agosto é o dia nacional de combate a esse problema

No dia 8 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, data que serve de alerta para se frear o aumento dos casos, que crescem a cada ano. O colesterol “ruim” está associado a doenças cardiovasculares, que são as principais causa de mortes no mundo

Por Lívia Braz
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Saúde sempre esteve entre as prioridades do engenheiro civil Moacyr Procópio, de 50 anos. A vida inteira praticou esportes. Foi triatleta, judoca. Além disso, passou a vida tendo cuidados com a alimentação, nunca fumou e sempre controlou o peso. Apesar disso, em 2021, levou um susto após passar por exames de rotina com o cardiologista.

“Fui fazer um check up de rotina e acabei tendo que passar por uma cirurgia de coração. Estava com 95% de obstrução em uma artéria coronária e 70% na outra. Coloquei 5 stents e passei uma semana internado. Foi um grande susto ", conta o engenheiro. 

Na rotina, pouca coisa mudou. Continua praticando atividade física com frequência, mas hoje precisa manter os índices de colesterol controlados, por isso passou a tomar remédios para ajudar na manutenção dessas taxas. “Terei que tomar remédio para o resto da vida, para deixar os níveis de colesterol baixos. Mas mudei também meu estilo de vida. Encaro a vida de forma mais leve, não aumento os problemas e tento não me preocupar tanto com o futuro” diz o engenheiro. 

Não é o caso do Moacyr, que tem fatores hereditários ligados ao aumento da taxa de colesterol no organismo, mas a maior parte dos problemas coronarianos  — 70% — poderia ser evitada com melhoria no estilo de vida. Como explica a médica funcional, Fernanda Carvalho da clínica de medicina integrativa Viva Mais, em Brasília. 

“Para melhorar esse perfil é preciso melhorar hábitos de vida como um todo, atividade física, alimentação mais equilibrada, mais proteica, com menos carboidratos. O consumo de açúcar e farinhas, considerados carboidratos simples, também vai impactar no aumento do LDL, que é o colesterol ruim.”

A cada ano os números aumentam, mas em média 300 mil brasileiros sofrem infarto no Brasil todos os anos, desses — e 30% acabam morrendo. Sedentarismo, estresse, má alimentação, obesidade. Fatores de risco para a saúde do coração que interferem diretamente nos índices de colesterol no sangue. Apesar do título de vilão, o colesterol em níveis adequados é muito importante para o organismo, pois faz parte da produção de hormônios, como a Vitamina D. Atua ainda na digestão, produção de energia, hormônio sexual, entre outros. Porém, em níveis alterados, e associado a outros fatores de risco, pode, sim, causar danos à saúde, como explica o cardiologista Hober Fasciani.

“O colesterol em níveis elevados, associado a fatores de risco, como hipertensão, diabetes, doença coronariana aumenta o risco de infarto e AVC. Principalmente o LDL, que é considerado o colesterol ruim, que pega a gordura do fígado para as artérias. E também o triglicérides, que é esse colesterol remanescente, e um dos principais causadores das placas de carotídea e coronária, aumentando as chances de infarto e AVC.”

Existe mesmo colesterol bom?

Sim. Manter níveis baixos de colesterol não vale para todos eles. Segundo o cardiologista, o LDL e os triglicerídeos devem ser mantidos em níveis próximos de 100 mg/dl, já o chamado colesterol bom, que é o HDL, precisa estar acima de 60 mg/dl para proteger o coração. Isso porque é ele que tem a capacidade de remover e transportar as gorduras das artérias, levando até o fígado, onde é secretado.

Herança genética 

Quem tem casos de colesterol elevado na família precisa estar ainda mais atento e começar o acompanhamento com cardiologista ainda na infância. 

“A idade não é documento. A genética também influencia, filhos com pais que apresentam níveis elevados de colesterol podem herdar uma condição conhecida como hipercolesterolemia familiar. A maioria dessas crianças são assintomáticas, então os pequenos pacientes devem ter seus índices de colesterol no sangue analisados pelo menos a partir dos 10 anos de idade, mesmo se não apresentar qualquer sintoma” — alerta o cardiologista.

Segundo o médico, alguns alimentos devem ser evitados e, até mesmo, eliminados da dieta de crianças. Sobretudo as que têm histórico familiar de índices elevados de colesterol. 

Colesterol alto: alimentos que devem ser evitados

  • biscoitos recheados
  • sorvetes
  • derivados de leite integral
  • carboidratos refinados
  • carnes gordas

Outros dicas que ajudam a manter a saúde do coração desde a infância:

  • Faça a preparação dos alimentos assados, cozidos ou grelhados;
  • Aumente o consumo de cereais integrais como, farelo de trigo, farelo de aveia. Substitua, sempre que possível, massas e pães feitos de farinha branca, por opções integrais;
  • No almoço e no jantar consuma boas quantidades de hortaliças folhosas, como alface, agrião, escarola, rúcula;
  • Tempere as saladas azeite de oliva preferencialmente o extra virgem;
  • Opte por leite e iogurtes desnatados;
  • Prefira queijo branco fresco e ricota, em vez dos queijos amarelos;
  • Evite produtos industrializados, ricos em gordura trans como: biscoitos recheados e amanteigados, salgadinhos ricos em corantes;
  • Evite o consumo de frituras e prefira carnes magras, com menores concentrações de gorduras;
  • Abandone o tabagismo; reduza o estresse e mantenha uma rotina de exercícios;
  • Reduza o consumo de refrigerantes e de bebidas alcoólicas.
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SOBRE

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.

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