Turismo só deve voltar a faturar em 2022, afirma o economista Fábio Bentes, da CNC

Em entrevista exclusiva para o portal Brasil 61, Fábio Bentes afirma que o setor perdeu R$ 88 bi com a pandemia


O Turismo perdeu R$ 88 bilhões devido a pandemia do novo coronavírus desde a segunda quinzena de março até o início de junho. É o que afirmou Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em entrevista exclusiva ao portal Brasil 61. Ele avalia que o setor serviu como uma espécie de “para-choque” econômico da crise, sendo atingido de forma mais forte pela queda nas vendas. Segundo o especialista, a crise gerou uma perda de 90% na receita em um período de um mês e meio.

“O setor de turismo costuma faturar por mês, cerca de R$ 40 bilhões, ele perdeu quase dois meses de receita. É o setor que mais sofreu. Isso tem impacto no emprego: hospedagem e alimentação já destruíram só em março em abril, 11% do seu estoque de vagas de trabalho”, explica.

Segundo ele, o turismo no Brasil já vinha sofrendo pela retração da empregabilidade antes mesmo da crise, o que foi intensificado pela pandemia. Para Bentes, empresas de viagens e hospedagens só devem voltar a ter rendimento semelhante ao período anterior à crise em 2022: “Esse processo de crise econômica deflagrada pela Covid-19 infelizmente está longe de ser superado, e ainda estamos apresentando queda nas vendas. Até que se comece a aparecer quedas menores na geração das receitas, colocar o nariz para fora d'água, vai demorar um tempo”.

Fábio Bentes também avaliou o efeito da crise nas pequenas cidades turísticas do interior do Brasil, como Caldas Novas e Pirenópolis. Segundo o economista, essas cidades vão sentir um efeito mais prolongado da pandemia, já que começaram a ser afetadas pelo vírus posteriormente às grandes metrópoles. “Estamos assistindo a uma migração da Covid-19 dos grandes centros urbanos para o interior dos estados, para o interior do Brasil e até mesmo para o litoral. Nesse cenário, a tendência é de que o turismo nessas localidades continue sofrendo. Parques nacionais fechados, hotéis fechados e o próprio consumidor do turismo ainda com muita restrição ao deslocamento”, analisou o economista.

As empresas de turismo também devem passar por um processo de adaptação à nova realidade imposta pelo novo coronavírus. Para Bentes, se adaptar às novas plataformas será essencial para a sobrevivência de muitas empresas. “Vou dar um exemplo que acompanhamos de perto: os comerciantes. Com muitas lojas fechadas, os empreendedores se digitalizaram. Migraram para o e-commerce. E isso impediu que o comércio tivesse perdas? Não. Dados da Receita Federal mostraram que no mês de maio o e-commerce no Brasil cresceu 49% em relação ao mesmo mês do ano passado. Acredito que o setor do turismo tem que passar por um processo semelhante.”

Assista a entrevista completa:
 

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LOC.: O Turismo perdeu R$ 88 bilhões devido a pandemia do novo coronavírus desde a segunda quinzena de março até o início de junho. É o que afirmou Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em entrevista exclusiva ao portal Brasil 61. Ele avalia que o setor serviu como uma espécie de “para-choque” econômico da crise, sendo atingido de forma mais forte pela queda nas vendas. Segundo o especialista, a crise gerou uma perda de 90% na receita em um período de um mês e meio.

TEC./SONORA: Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

“O setor de turismo costuma faturar por mês, cerca de R$ 40 bilhões, ele perdeu quase dois meses de receita. É o setor que mais sofreu. Isso tem impacto no emprego: hospedagem e alimentação já destruíram só em março em abril, 11% do seu estoque de vagas de trabalho.”


LOC.: Segundo Fábio Bentes, o setor do turismo no Brasil já vinha sofrendo pela retração da empregabilidade antes mesmo da crise, o que foi intensificado pela pandemia. Para ele, empresas de viagens e hospedagem só devem voltar a ter rendimento semelhante ao período anterior à crise em 2022.

TEC./SONORA: Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

“Esse processo de crise econômica deflagrada pela Covid-19 infelizmente está longe de ser superado, e ainda estamos apresentando queda nas vendas. Até que se comece a aparecer quedas menores na geração das receitas, colocar o nariz para fora d'água, vai demorar um tempo.”
 


LOC.: Fábio Bentes também avaliou o efeito da crise nas pequenas cidades turísticas do interior do Brasil, como Caldas Novas e Pirenópolis. Para o economista, essas cidades vão sentir um efeito mais prolongado da pandemia, já que começaram a ser afetadas pelo vírus posteriormente às grandes metrópoles.

TEC./SONORA: Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

“Estamos assistindo a uma migração da Covid-19 dos grandes centros urbanos para o interior dos estados, para o interior do Brasil e até mesmo para o litoral. Nesse cenário, a tendência é de que o turismo nessas localidades continue sofrendo. Parques nacionais fechados, hotéis fechados e o próprio consumidor do turismo ainda com muita restrição ao deslocamento.”


LOC.: As empresas de turismo também devem passar por um processo de adaptação à nova realidade imposta pelo novo coronavírus. Para Bentes, se adaptar às novas plataformas será essencial.

TEC./SONORA: Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

“Vou dar um exemplo que acompanhamos de perto: os comerciantes. Com muitas lojas fechadas, os empreendedores se digitalizaram. Migraram para o e-commerce. E isso impediu que o comércio tivesse perdas? Não. Dados da Receita Federal mostraram que no mês de maio o e-commerce no Brasil cresceu 49% em relação ao mesmo mês do ano passado. Acredito que o setor do turismo tem que passar por um processo semelhante.”


LOC.: E o economista da CNC também alertou: o setor turismo precisa estar pronto para quando a pandemia acabar, por isso é importante a preparação desde agora.

TEC/SONORA: Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)

“Essa pandemia em algum momento vai passar. Passou por outros países, deixou um rastro de destruição grande, e aqui não deve ser diferente. É importante nos prepararmos para esse período pós pandemia, nós consumidores, os empresários e o Governo Federal, para um ambiente mais favorável a partir do ano que vem.”


LOC.: Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em abril, o índice de volume das atividades turísticas sofreu queda de 54,5% frente a março, a maior retração da série histórica desde 2011.

Reportagem, Daniel Marques.