Por Aline Dias
De Canoas, no Rio Grande do Sul, Leonardo Almeida, 18 anos, é um dos 63 jovens selecionados para disputar uma vaga na equipe brasileira da maior competição de educação profissional do mundo. A 45ª edição da WorldSkills ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia. Leonardo vai competir na modalidade manutenção industrial.

ÁUDIO: Acesse a versão desta matéria para emissoras de rádio
O jovem mora no bairro Mathias Velho, com os pais, e é técnico em manutenção de máquinas industriais formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Desde muito novo, já fazia pequenos consertos em casa. O gosto pela área e a certeza de que sempre haverá a necessidade de profissionais para manutenção na indústria, fizeram Leonardo seguir no ramo.
O técnico se classificou em 2017, na etapa regional, e, no ano passado, na nacional, disputada entre representantes de 11 estados. “A sensação de ter passado e chegado até aqui é muito gratificante. É mais um reconhecimento mesmo, porque gera um grande esforço e tudo no final é recompensado, muito bem recompensado, por sinal”, afirma.
A última fase de treinamentos, teve início no dia 14 de janeiro, em Brasília, onde o jovem deverá permanecer até a competição, junto com aproximadamente outros 50 jovens. Representantes de algumas modalidades irão se preparar também nos centros de treinamento do SENAI localizados em Belém, Porto Alegre e Joinville, em Santa Catarina.
Para mais esta fase, Leonardo garante que o esforço será ainda maior, para que esse título fique com o Brasil. “A minha expectativa agora para a Rússia é que eu consiga dar o meu melhor, trazer o ouro para o Brasil, que aconteça isso com toda a nossa delegação e após isso eu consiga fazer uma profissionalização ainda maior na área técnica”, destaca o jovem, que tem como uma de suas metas ser instrutor do SENAI.
Educação Profissional
Assim como para Leonardo, a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.
Segundo o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.
A competição
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais.
Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. É colocada em xeque a habilidade técnica dos participantes, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.
São 56 modalidades técnicas que exigem adequação aos padrões mundiais. Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão, os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, destaca.
A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, o Brasil foi o primeiro do ranking de países.
