Por Aline Dias
A paixão por automóveis fez Paulo Vitor Fratta, 18 anos, chegar longe. O paulista está entre os 63 jovens selecionados para disputar uma vaga na equipe brasileira da maior competição de educação profissional do mundo. A 45ª edição da WorldSkills ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia e Paulo Vitor deve competir na modalidade manutenção de veículos pesados.
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Técnico em manutenção automotiva formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), ele mora em Interlagos, com os pais, o avô e as irmãs mais novas. Antes do técnico, fez curso de aprendizagem industrial de mecânica automobilística. O pai e o avô são do ramo metalúrgico, mas Paulo Vitor garante que o gosto por carros é de família. “Isso vem desde pequeno. Meu pai sempre teve os carros como hobby. Eu sempre gostei muito e o meu sonho sempre foi trabalhar com isso”, afirma o jovem, que costuma marcar presença no Autódromo de Interlagos durantes os finais de semana, principalmente durante as competições de automobilismo.
A jornada de Paulo Vitor para a WorldSkills começou lá atrás, quando se classificou em 2017, na etapa regional, e, no ano passado, na nacional, realizada em Belém, no Pará. Para o jovem, a participação nas Olimpíadas do Conhecimento e a preparação para o mundial são um processo muito árduo, mas também muito prazeroso. São muitas horas de treinamento, provas, mas que no final, trazem muitas recompensas.
“Além das conquistas, das medalhas, eu acho que o principal que a Olimpíada me trouxe foi o conhecimento, fora a evolução pessoal. Você aprende a lidar com pressão, você tem que absorver uma grande quantidade de conhecimento técnico em um curto período de tempo, então tudo isso traz uma grande evolução”, destaca.
O jovem está agora na última fase de treinamentos, realizada em Brasília, onde deverá permanecer até a competição, junto com aproximadamente 50 jovens. Representantes de algumas modalidades irão se preparar também nos centros de treinamento do SENAI localizados em Belém, Porto Alegre e Joinville, em Santa Catarina.
Empolgado com a possibilidade de trazer mais uma medalha para o Brasil, Paulo Vitor já faz planos para o futuro. “Eu quero me dedicar o máximo possível, trazer o melhor resultado para o Brasil e com isso, se Deus quiser, conseguir um bom emprego, além de dar orgulho para os meus pais, para minha família, para a escola, porque a gente está representando o nosso país”, idealiza.
Educação Profissional
Assim como para Paulo Vitor, a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.
Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.
A competição
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais.
Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. É colocada em xeque a habilidade técnica dos participantes, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.
São 56 modalidades técnicas que exigem adequação aos padrões mundiais. Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão, os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, destaca.
A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, o Brasil foi o primeiro do ranking de países.
