Educação - undefined·30 de janeiro de 2019

Unidades integradas SESI/SENAI do DF irão implantar o novo ensino médio em 2019

<p>O aprendizado contextualizado e integrado &eacute; uma das novidades trazidas pelo novo ensino m&eacute;dio</p>

Por Agência do Rádio
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Por Paulo Henrique Gomes

Todas as unidades integradas do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Distrito Federal irão implantar o novo ensino médio em pelo menos uma de suas turmas neste ano.

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A coordenadora de Educação do SESI do Distrito Federal, Núbia Rosa, explica como o novo modelo será introduzido nas unidades. “A rede SESI-DF fez adesão ao projeto nacional e a partir de 2019 estamos ofertando turmas do novo ensino médio nas três unidades. Sobradinho, Gama e Taguatinga. Estamos oferecendo formações em eletrotécnica, rede de computadores e matemática”, disse.

Foto: Sistema FIBRA

Uma turma com 25 alunos irá cursar o primeiro ano do ensino médio, juntamente com o curso técnico de eletrotécnica na escola SESI/SENAI de Sobradinho. A unidade do Gama terá duas turmas que irão utilizar a metodologia, sendo que uma irá se capacitar em eletrotécnica e outra em matemática. Em Taguatinga, 60 alunos de duas turmas irão cursar o primeiro ano do ensino médio em conjunto com o curso de rede de computadores. A expectativa é que o modelo seja expandido no Distrito Federal nos próximos anos.

O modelo oferece um currículo integrado por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas, e inclui formação técnica que permite aos estudantes iniciarem mais cedo a vida profissional. Os alunos podem escolher uma formação técnica dentro da carga horária do ensino médio regular. Caso obtenha sucesso, ao final dos três anos o estudante terá o diploma do ensino médio e o certificado do ensino técnico.

Na opinião de Núbia Rosa, a nova metodologia pode colaborar para que os estudantes se dediquem mais aos estudos. “Ele traz um grande avanço nas possibilidades didático-pedagógicas. Eu tenho dito até, em alguns contextos, que é uma forma concreta de você tirar o estudante atual da masmorra. Por quê? Porque a gente passa a trabalhar com áreas de conhecimento. Então nós não temos mais aquela grade curricular de 14 a 17 disciplinas. Nós temos cinco itinerários formativos. Então nós temos a área de conhecimento linguagens e tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza, ciências humanas e o itinerário profissionalizante”, defende.

A estudante Regiane Keila, aluna do primeiro ano do ensino médio da escola SESI/SENAI Benedito Bentes, em Maceió, que utilizou o modelo de ensino do novo ensino médio, aprovou o caráter a divisão dos conteúdos por áreas do conhecimento. “Essa nova divisão, que é por área e não mais por disciplina, fez com que a gente conseguisse entender melhor a aula. Porque, por exemplo, se um professor de história vai lá e fala sobre ‘Era Vargas’, o de geografia vai lá e complementa na visão da área da geografia. Então a gente conseguiu entender muito melhor cada assunto que foi passando”, disse.

O aprendizado contextualizado e integrado é uma das novidades trazidas pelo novo ensino médio, que começou a ser implementado pelo SESI e pelo SENAI em 2018, em cinco estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo – com 226 alunos.

Segundo a pedagoga e especialista em gestão escolar Juliana Diniz, o novo ensino médio é positivo e não pode esvaziar o papel da escola, que, por essência, precisa garantir a formação do sujeito em todas as suas funções: integral, ético, justo e capaz de transformar o mundo no qual atua. “Nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinados interesses e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, o considerando pessoa de potência. Olhando ainda para uma concepção, essa ideia de trabalhar o ensino médio por percursos formativos, tende a ser uma boa experiência. ”

A nova norma prevê que os alunos do ensino médio terão 1.800 horas de formação geral básica, que será orientada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e até 1.200 horas de itinerários formativos, como aprofundamento de estudos.

Como funciona

Ao todo, são três mil horas para todo o ensino médio, que começa com maior ênfase nos conteúdos gerais e, gradualmente, aumenta o número de horas-aula para a formação técnica e profissional. No primeiro ano, são 800 horas para conteúdos gerais e 200 horas para aulas sobre iniciação ao mundo do trabalho. No segundo ano, são 600 horas para conteúdos gerais e 400 horas para formação técnica e profissional. No terceiro ano, isso se inverte: são 400 horas para formação geral e 600 horas para a habilitação técnica.

Cada município terá de oferecer pelo menos dois dos cinco itinerários previstos: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional. Para 2019, o SESI e o SENAI programam uma expansão do modelo em suas unidades. Novos estados serão atendidos e novas habilitações serão ofertadas. Além de Eletrotécnica, os estudantes poderão optar pelas áreas de Matemática, Ciências da Natureza, Técnico em Mecânica ou Técnico em Rede de Computadores.

O então ministro da Educação, Rossieli Soares, homologou no fim de novembro de 2018, as Diretrizes Curriculares Nacionais do novo ensino médio. A proposta foi relatada pelo diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, que é integrante do Conselho Nacional de Educação. Segundo ele, nenhum país se desenvolveu sem fazer uma grande aposta em educação, ciência, tecnologia e inovação, que são pilares fundamentais de uma agenda de país e, no Brasil, não poderá ser diferente. “A expectativa é da população brasileira. É claro que temos um grave problema na indústria brasileira que é a baixa qualidade, a baixa escolarização da média populacional brasileira, o que faz com que a produtividade do trabalho no Brasil seja muito baixa”, diz Lucchesi.

Brasileiros são a favor de mudanças no ensino médio

Segundo uma pesquisa do IBOPE de 2016, 72% dos entrevistados são a favor de mudanças no ensino médio e 70% são a favor de que os estudantes escolham as disciplinas em que irão se aprofundar e possam optar pela formação técnica no ensino médio.

Foto: Ítalo Novaes - Agência do Rádio Mais

O que é o Novo Ensino Médio?

A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais (até 2022) e definindo uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os chamados itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional. A mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e aproximar as escolas da realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade.
 

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