“Um ídolo não morre, vira lenda”. “Mereciam o mundo, ganharam o céu”. As frases que estampam cartazes no entorno da Arená Condá, em Chapecó, representam a lembrança de um dia que jamais será esquecido. Há um ano, as 75 vítimas que iam para a Colômbia partiram em uma viagem sem volta. Saíram de São Paulo e tinham como destino a cidade de Medellín, que seria palco da final da Copa Sul-Americana de 2016. A partida entre a Associação Chapecoense de Futebol e o Atlético Nacional nunca aconteceu, mas ficará para sempre na memória dos torcedores.
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Personagem da tragédia que dizimou jogadores, jornalistas e dirigentes de futebol, o coordenador de esportes da rádio Super Condá, Ivan Carlos Agnoletto, poderia ter sido mais uma das vítimas. Quis o destino que ele não embarcasse no voo 2933, da empresa boliviana LaMia, por conta de um documento de identidade antigo, que levou por engano ao aeroporto. O imprevisto fez com que perdesse dois companheiros: Gelson Galiotto e Edson Luiz Ebeliny, conhecido com Picolé. Hoje, o jornalista vê o acidente como um sinal divino.
“Eu acredito que isso seja coisa de Deus, usando a Chapecoense como exemplo. Tem uma história muito bonita, de muito sacrifício, de muita dificuldade, para a própria imprensa também foi muito difícil, sempre distante os jogos. Eu acredito que o homem lá em cima esteja usando a Chapecoense como exemplo, de dificuldade para vencer, para conquistar, e lamentavelmente terminando nessa tragédia”.
O vice-presidente jurídico da Chapecoense, Luiz Antonio Palaoro, admite que o clube tem sido alvo de algumas ações na Justiça, mas que está aberto a analisar propostas das famílias das vítimas. Palaoro garante ainda que jamais passou pela cabeça encerrar as atividades do clube.
“Nunca, absolutamente nunca. Eu já fazia parte da gestão anterior, só não fui nesse voo por detalhe. Nós somos em cinco membros do Conselho de Administração, um presidente e quatro vice-presidentes, e temos mais cinco membros do Conselho Deliberativo. Desses 10 membros, foram cinco na viagem, faleceram cinco. Ficamos cinco, parece que coincidentemente para levar adiante a Chapecoense”.
A principal frente de investigação brasileira em relação ao acidente com o avião da LaMia foi conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), em Chapecó. O MPF concluiu que não houve negligência ou imprudência por parte da Associação Chapecoense de Futebol na contratação da companhia e que também não foi identificado qualquer indício de que tenha havido pagamento de valor indevido ou outro interesse escuso para fechar o contrato. Nesta terça (28), o procurador federal Carlos Humberto Prola Júnior confirmou haver suspeitas de que a LaMia, na verdade, seja efetivamente controlada por uma família na Venezuela, apesar de ter sede na Bolívia.
Para a Chape, taças e tempo de clube não são necessariamente sinônimos de grandeza. Na Arena Condá, cada dia sobrevivido, superado e renascido representa um novo título. Que o grito que ecoou na voz de muitos torcedores permaneça no coração de todos os brasileiros: vamos, vamos, Chape!
Reportagem, Tácido Rodrigues