Saúde - undefined·18 de dezembro de 2018

Trinta anos de avanços no tratamento da Aids

Por Agência do Rádio
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O primeiro caso de Aids registrado no Brasil aconteceu em 1982, em São Paulo. Estado que, hoje, está entre os 21 que conseguiram reduzir a mortalidade da doença em cerca de 27% apenas nos últimos três anos. Ainda assim, é preciso considerar que de lá pra cá já se passaram mais de 30 anos e, pelo menos logo após ser identificada, a Aids foi responsável por muitas mortes. Quem passou perto deste pavor, de contrair o vírus, e viver cada dia como se fosse o último foi o arquiteto José Hélio, de 68 anos, morador de Porto Alegre. Ele, que foi diagnosticado em 1988, aos 38 anos, viveu a angústia das poucas informações sobre o HIV e a falta de tratamento para o vírus. Para sua sorte, a doença só se manifestou 10 anos depois, quando os estudos já haviam avançado, e os medicamentos eram distribuídos de forma gratuita pelo Estado.

“Não tinha tratamento, não tinha exame, não tinha nada. Eu só fui ter sintomas de Aids com a tuberculose 10 anos depois. Logo em seguida, eu deixei de comprar, de 3 a 4 mil dólares por mês, pra ser fornecido pelo Estado. Aí entraram os medicamentos em 1996. Eu já entrei direto no coquetel.”

Além dos gastos com medicamentos que vinham de fora, o arquiteto ainda teve que viver com os efeitos colaterais dos quase 20 comprimentos por dia. Ele conta que hoje anda com uma bengala, por sentir fraqueza nas pernas. A situação não é uma consequência da idade, mas, sim, de uma das drogas administradas na época, considerada vilã, mas que funcionava para o vírus. Hoje, 30 anos depois, os avanços em tecnologia e pesquisas foram tantos, que o máximo de comprimidos ingeridos não passa de quatro, e os efeitos já não são mais tão evidentes. Leonardo Augusto Araújo, brasiliense, estudante do ensino médio, hoje com 21 anos, nasceu depois da política de distribuição de medicamentos. Ele reconhece que, se não fosse o acesso que ele tem aos medicamentos, não estaria vivo.

“Eu estaria morto, porque eu sou soropositivo desde pequenininho. Eu peguei o HIV por transmissão vertical, né? Porque foi através da minha mãe. E acontece que a minha vida foi muito difícil quando eu era mais novo porque eu tive muita pneumonia. E os remédios estão sendo bons porque, então, além de estarem me ajudando a ter uma vida normal, eles estão me ajudando a ficar forte. Quem olha pra mim nem imagina que eu sou soropositivo, nem imagina.”

Hoje, o tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde para brasileiros e estrangeiros que residem no país. O último boletim epidemiológico divulgado neste Dezembro Vermelho, pelo Ministério da Saúde, aponta que atualmente cerca de 866 mil brasileiros vivam com o vírus. Além do tratamento, o governo também oferece formas de prevenção. Basta acessar uma unidade de saúde para pegar sua camisinha feminina ou masculina. Use sempre camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS, e proteja-se. Trinta anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br. Ministério da Saúde, Governo Federal.

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