Saúde - undefined·12 de dezembro de 2018

Tratamento de aids no Brasil avança nas últimas décadas

Por Agência do Rádio
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Dezembro marca os 30 anos em que o Brasil e o mundo estão na luta contra aids. Nesse tempo, foram muitos os avanços que tivemos. Prevenção, diagnóstico, prognósticos. Mas é no tratamento que fica evidente o quanto evoluímos nesse combate. Quem sabe bem disso é o alagoense Cláudio Vilarins, professor aposentado de 73 anos. Ele foi diagnosticado com HIV em 1995, quando muito pouco se sabia sobre o assunto e menor ainda eram as formas de tratamento. Segundo ele, não existiam exames de checagem da doença. Ele só descobriu que estava com o HIV após apresentar sintomas de tuberculose, quando o vírus já estava em uma etapa avançada. Cláudio conta que receber o diagnóstico, era quase um atestado de óbito. A perspectiva de vida dos pacientes com HIV era quase nula. E os primeiros remédios, ainda não disponibilizados na rede pública e importados a preços exorbitantes, não eram muito eficazes e causavam efeitos colaterais devastadores.

“Eu me lembro que ele ficava na geladeira. Eram uns remédios que eram colocados diretamente na geladeira e eu tinha que tomar uma base de uns seis comprimidos. E, pouco tempo depois, chegou o ‘Crixivan. Aí eu mudei pra esse ‘Trisivam’, que era também altamente tóxico. Esse Crixivan me deu grandes efeitos colaterais. Eu tinha a perda das unhas dos pés. Eu sangrava e eu perdia as unhas e, de três em três meses, eu tinha que extrair as unhas pelo enfraquecimento delas. Foram os remédios que eu mais tive problemas, foram os remédios iniciais.”

O Brasil é uma referência mundial no combate à aids. Hoje, as medicações oferecidas gratuitamente pelo SUS são bem menos agressivas, em menor dosagem além de serem muito mais efetivas no controle do HIV. Mas, mesmo com todos esses avanços, Telma Martins, coordenadora estadual de IST e Aids da Secretaria de Saúde do Ceará, considera que a população ainda não se dedica o suficiente com os cuidados com a saúde. Ela destaca a importância de fazer exames rotineiramente.

“Se a pessoa começa o tratamento mais cedo, ela pode tanto evitar transmitir pra outras pessoas como pode iniciar o tratamento e não adoecer ou não vir a uma situação pior em relação a aids. Então os benefícios são muitos pra quem faz o teste, pra quem se cuida”

Uma pessoa, que tem o diagnóstico do HIV logo no início, consegue iniciar o tratamento a tempo de não permitir a doença evoluir e chegar a desenvolver a aids, que seria a etapa em que o sistema imunológico fica completamente fragilizado. E, independente da etapa, com o uso correto das medicações, o paciente fica indetectável e sua chance de transmitir o vírus é praticamente nula. Informe-se. Previna-se. E o mais importante: faça checagens regularmente. Essa luta é de todo mundo. Use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos da luta mundial contra a aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br.

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